A Justiça do Paraguai determinou a prisão do ex-presidente Santiago Peña Palacios e do empresário Carlos Dagoberto Carvallo Spalding nesta sexta-feira (6). A ordem judicial ocorre em meio a investigações sobre suspeitas de gestão fraudulenta e outros delitos financeiros envolvendo o Ueno Bank. O Ministério Público do país vizinho solicitou apoio imediato da Polícia Nacional para dar cumprimento aos mandados.
Equipes policiais se deslocaram até a residência de Peña logo após a conclusão do julgamento político conduzido pelo Senado paraguaio. Conforme a notificação formal das autoridades, foram estabelecidas diretrizes específicas para o cumprimento da custódia de cada um dos alvos da ação.
Identificado formalmente como Nota nº 97, o documento oficial encaminhado ao comando policial cobra a execução da Resolução Fiscal de Detenção nº 7. O procedimento integra o processo penal nº 92/2026, que apura condutas de lesão de confiança e outros crimes correlatos atribuídos ao ex-mandatário e aliados.
A determinação judicial estabelece que Santiago Peña deve permanecer detido em sua própria residência até que seja colocado formalmente à disposição da Unidade Especializada de Delitos Econômicos e Anticorrupção. No caso de Carvallo Spalding, foi definido que o cumprimento da prisão ocorra nas dependências da polícia.
O Ministério Público paraguaio ressaltou a exigência de que o resultado da operação seja comunicado de forma imediata à Promotoria. O órgão também exigiu que os detidos sejam apresentados à autoridade competente dentro dos prazos da lei, com a devida garantia de seus direitos processuais.
A ordem de prisão conta com a assinatura conjunta de quatro promotores públicos: Christian M. Benítez Cáceres, Elena Fiore Franco e Silvia Margarita González Vester, da Unidade Especializada de Delitos Econômicos e Anticorrupção, além de Ruth Benítez, integrante da Unidade Especializada de Delitos Informáticos.
Os integrantes da promotoria formalizaram a solicitação para que a cúpula policial adotasse todas as medidas operacionais indispensáveis para efetivar as ordens expedidas.
Com a inclusão do empresário Carlos Dagoberto Carvallo Spalding no mandado, as investigações avançam sobre um núcleo além do meio estritamente político, embora a documentação preliminar não detalhe pontualmente a conduta individual atribuída a cada envolvido nas operações suspeitas.
A apuração se aprofunda sobre a relação patrimonial direta mantida por Peña com o Ueno Bank. O ex-presidente havia declarado oficialmente bens e participações financeiras na instituição bancária que agora é centro do escândalo.
Em registros prestados em 2023, o então presidente declarou cotas societárias da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis. Esse investimento societário acabou sendo vendido em abril de 2025.
Além dessas ações, constava na declaração de Peña um certificado de depósito bancário no valor de 2,4 bilhões de guaranis no Ueno Bank — soma próxima a R$ 2,06 milhões —, somado a títulos da empresa Itti, focada no desenvolvimento de softwares financeiros.
Outro elemento apontado pelas apurações envolve o irmão do ex-chefe de Estado, registrado como sócio da empresa U Holding SARL. A estrutura empresarial é apontada como a ferramenta utilizada pelo conglomerado para exercer o controle sobre o banco investigado.
A determinação expedida pelo Ministério Público ocorreu de maneira coordenada no mesmo dia em que o Senado do Paraguai encerrou o julgamento de impeachment de Santiago Peña, pressionado pela grave crise deflagrada pelo colapso de credibilidade no sistema financeiro.





