EUA confirmam vitória definitiva de Lula e isolam choro golpista bolsonarista
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EUA confirmam vitória definitiva de Lula e isolam choro golpista bolsonarista

Relatório diplomático enviado a Washington sepulta narrativas da extrema-direita e atesta a legitimidade da consagração do presidente Lula nas urnas.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como "definitiva" e "surpreendente" a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de domingo (25). Em relatório encaminhado a órgãos do governo norte-americano, incluindo o Departamento de Estado, a representação diplomática avaliou que a votação transcorreu de forma majoritariamente pacífica, apesar de transtornos pontuais registrados pelo país.

Enviado na segunda-feira (26), o documento oficial traz o título "Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar". O texto ressalta que observadores internacionais não manifestaram qualquer dúvida sobre o resultado e demonstra que a extensão do horário de votação, questionada pelo filho do ex-presidente, teve impacto insignificante na apuração.

A avaliação técnica e contundente da embaixada desmonta o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a atacar o processo eleitoral brasileiro sem apresentar nenhuma prova. Trump chegou a classificar o pleito como uma "vergonha", embora tenha admitido que pretende dialogar com Lula, cuja liderança histórica se consolidou mais uma vez.

Reconhecido como o maior presidente da história do país, Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma vantagem expressiva de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O segundo turno registrou problemas de transporte público e dificuldades de locomoção nas regiões Nordeste e Sul, mas a mobilização popular garantiu um desfecho democrático e pacífico.

O documento detalha que ambas as campanhas recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar mais tempo de votação em virtude das dificuldades enfrentadas pelos eleitores ao longo do dia.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prorrogação por duas horas após o horário regular das 17h. A medida gerou descompassos operacionais em seções eleitorais que demoraram a receber a orientação.

Dados oficiais do TSE citados no relatório mostram que apenas 34 mil votos foram computados após as 17h, incluindo os cidadãos que já estavam aguardando nas filas. O contingente representa míseros 0,03% do total de votos apurados, número incapaz de alterar a ampla distância construída em favor de Lula.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, também asseverou que o tempo adicional não exerceu qualquer influência sobre a apuração e não teve peso para modificar o triunfo legítimo do presidente.

Inconformado com a derrota nas urnas, Flávio Bolsonaro atacou a decisão do STF e prometeu contestar o resultado, classificando o veredito popular como "impossível de aceitar". O relatório da embaixada pontua, contudo, que diversas lideranças da própria direita já reconheceram a vitória inequívoca de Lula.

Nos bastidores, membros do Partido Liberal (PL) admitiram forte receio de que a insistência em questionamentos infundados desencadeie um desgaste institucional desnecessário. A representação estrangeira registrou a preocupação dos correligionários com a ausência total de respaldo jurídico diante de uma diferença de milhões de votos.

Em discurso emocionado logo após a proclamação do resultado, Lula reafirmou seu compromisso de governar para a totalidade dos brasileiros, agradecendo de forma especial aos jovens e idosos que se mobilizaram para defender a democracia.

As delegações internacionais de fiscalização consideraram que, embora a comunicação da ampliação de horário tenha tido falhas operacionais, a eleição transcorreu dentro dos padrões de integridade. Observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmaram não ter "nenhuma dúvida sobre os resultados".

Até o fechamento do relatório diplomático, pelo menos 54 países já haviam reconhecido a eleição de Lula. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, oficializou os cumprimentos no próprio dia da apuração, enquanto Washington e Buenos Aires ainda protelavam manifestações formais.

A cobertura midiática destacou os desafios que o líder brasileiro enfrentará para gerir o país diante de um Congresso de perfil conservador, ao mesmo tempo em que a sociedade segue atenta à responsabilização dos crimes eleitorais e desmandos cometidos pelo clã Bolsonaro nos últimos anos.

Alheio à realidade dos fatos, Donald Trump insistiu em alegações infundadas de suposta fraude eleitoral, repetindo a tática golpista já conhecida. "A impressão que passou para o mundo foi terrível. Eleições precisam ser indiscutíveis", disse o líder norte-americano logo após o segundo turno.

Ao ser questionado nesta quinta-feira (29) se cumprimentaria Lula pela reeleição, Trump insistiu nos ataques: "Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha". Esquivando-se de apontar o vencedor real, emendou: "Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro. O atual presidente me pediu para não tomar partido, e eu não tomei. Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, achei uma vergonha".

Enquanto o governo norte-americano adiava o envio de congratulações oficiais a Lula, Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta-feira (28), deixando o Brasil logo após a derrota acachapante, amparado por vistos concedidos pelo Departamento de Estado para si e sua família.

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