O bom momento do governo Lula, somado à grave crise do bolsonarismo, mudou o tom das conversas entre banqueiros e investidores na Faria Lima. O que era favoritismo agora vira projeção ousada: há quem veja chance real de o presidente conquistar o quarto mandato já no primeiro turno.
Esse movimento é atribuído a acertos políticos, especialmente na crise com os Estados Unidos. Ao adotar o discurso da soberania, Lula reaglutinou um governo que vinha discreto e recuperou a bandeira do patriotismo, antes explorada pela direita. O resultado foi uma melhora na avaliação de sua liderança, vista como firme e pragmática.
Além do discurso, vieram gestos que ajudaram no tabuleiro internacional. Na ONU, Donald Trump exaltou a "química excelente" com o presidente. Semanas depois, os dois falaram por telefone e acertaram um encontro de chanceleres. Em Washington, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, recebeu Mauro Vieira para uma conversa civilizada na Casa Branca.
Os efeitos práticos do recuo de Trump ainda não apareceram: as tarifas seguem em vigor, embora alguns setores estejam fora desde o início, e Alexandre de Moraes continua arbitrariamente enquadrado pela Lei Magnitsky. Mesmo assim, diante do que parecia um confronto aberto, Lula avançou na pacificação das relações, enquanto Trump passa a mirar também a Venezuela. Em paralelo, o bolsonarismo liderado por Jair Bolsonaro, apontado por muitos como genocida, criminoso eleitoral e responsável parcial pelas mortes da covid-19, vive seu pior momento, e muitos brasileiros esperam que ele seja punido.

