Felix alerta para risco de retrocessos no Congresso
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Felix alerta para risco de retrocessos no Congresso

Deputado federal mais votado do Distrito Federal promete defender direitos trabalhistas, servidores públicos e a população LGBTQIA+ a partir de 2027.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Assistente social, professor e primeiro deputado assumidamente gay da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Fábio Felix (PSOL) foi eleito deputado federal com 224.224 votos, a maior votação para o cargo no DF em 2026.

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O resultado foi mais de quatro vezes superior aos 51.792 votos recebidos por Felix em 2022, quando ele foi reeleito deputado distrital e se tornou o parlamentar mais votado da história da capital.

Felix recebeu quase o dobro dos votos do segundo colocado, Rafael Prudente (PL), que teve 119.427. Alberto Fraga (PL) ficou em terceiro, com 118.579 votos.

No Congresso Nacional, o deputado eleito pretende atuar em defesa dos direitos trabalhistas, dos servidores públicos e da população LGBTQIA+. Ele avalia que o crescimento de parlamentares conservadores exigirá articulação para impedir retrocessos.

"Primeiro, não há cenário ruim que não haja resistência, né? Nós temos um Congresso mais conservador, o PL ganha força nas urnas e chega com muitos deputados federais na Câmara dos Deputados, mas a gente também tem uma alta renovação. Novos deputados e deputadas que chegam também com muito gás para fazer a diferença na Câmara dos Deputados do nosso campo, do campo progressista. Então, também estamos felizes em fazer o nosso trabalho e vamos ajudar a organizar a resistência no Distrito Federal e no Brasil inteiro.

Agora, existem pautas que a gente não negocia. O PL já disse no programa de governo do candidato deles que querem flexibilizar as leis trabalhistas, querem atacar direitos previdenciários, direitos dos servidores públicos com uma reforma da previdência, por exemplo. Eles lá atrás já tentaram flexibilizar os direitos da comunidade LGBT, tentaram revogar o casamento igualitário. Foi no governo Bolsonaro, por exemplo, que eles entraram, através da AGU, no Supremo contra a criminalização da homotransfobia. Então, não há negociação para flexibilização de direitos. Nesse caso, não há qualquer negociação.

Agora, pautas mais abrangentes, que houver espaço para mediação de algo, nós vamos estar sempre dispostos ao diálogo. Mas a gente sabe que vai ser um congresso muito mais voltado para o enfrentamento e a gente vai enfrentar para não deixar que os retrocessos aconteçam."

Outra prioridade apresentada por Felix é a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o caso do Banco Master e seus impactos sobre o Banco de Brasília.

"Olha, eu acho que no Congresso Nacional a gente pode continuar a defesa de uma CPMI. A CPMI do Congresso chegou próximo às assinaturas necessárias para ser instalada e não foi instalada. Então, eu quero lutar, a partir de 2027, para que a gente tenha uma CPMI do Master, porque o Master tem tentáculos em várias instituições. Então, essa CPMI pode cumprir um papel muito importante de investigação e apuração desse caso.

E a gente sabe que o Distrito Federal, especialmente nosso banco público, o BRB, foi a principal vítima nacional do Vorcaro. Foi aqui que ele deixou um rombo de mais de R$ 12 bilhões e quem vai pagar essa conta? A gente não quer que seja a população do DF, a gente quer resgatar esse dinheiro, por isso eu vou para o Congresso Nacional lutar para que a gente tenha uma CPMI do Banco Master, para que esse caso seja investigado e para que a gente tenha condições de lutar para devolver o dinheiro para os bancos públicos do DF."

Ao planejar o mandato, Felix afirmou que a votação expressiva amplia sua responsabilidade e oferece respaldo para defender causas no Congresso.

"É diferente quando você chega para um mandato parlamentar com uma força do voto popular tão expressivo como esse, eh, já já aconteceu isso comigo em 2022, né? Quando eu fui mais votado para deputado distrital, isso dá respaldo, dá possibilidade para você trabalhar, se engajar em pautas, defender causas. Então, isso é muito importante. E aí tem dois temas que eu me preocupo muito e que a gente vai precisar atuar no Congresso Nacional em 2027. O primeiro é a defesa do serviço dos servidores públicos e do serviço público.

Porque eles já vêm anunciando que querem fazer uma reforma administrativa, né? Querem atacar a estabilidade dos servidores, querem atacar direitos previdenciários. Então, eu quero estar muito engajado na frente parlamentar em defesa dos servidores públicos, porque eu acho que isso é muito importante para a nossa sociedade hoje. Os serviços públicos são fundamentais, porque eles alcançam a população que mais precisa. Só serve a esses que odeiam as políticas sociais atacar os serviços públicos e os servidores públicos. Então, vou me engajar muito nessa pauta.

E a segunda é, eu sou casado, né? E é um direito conquistado a partir de uma decisão do Supremo, entre outros direitos da comunidade LGBT. Então, a gente precisa reativar com muita força a frente parlamentar do Congresso Nacional em defesa dos direitos da população LGBT+ brasileira.

Eu quero estar engajado também nessa causa, porque nós não podemos tolerar retrocessos e agora nós temos uma bancada com mais de 10 deputados que são comprometidos com a causa e são pessoas LGBTs que vão estar com a gente nessa luta no Congresso Nacional. E diga-se de passagem, a maior bancada num Congresso Nacional de um país da América Latina."

O custo de vida também estará entre as prioridades. Felix defende uma legislação federal para controlar aumentos abusivos nos aluguéis e a adoção da tarifa zero no transporte público.

Segundo o deputado eleito, essas propostas foram levadas para a campanha do presidente Lula durante o segundo turno. Ele avalia que moradia e transporte precisam ocupar espaço central no debate nacional.

Felix atribuiu o resultado eleitoral à combinação entre mobilização nas ruas, presença nas redes sociais e apresentação de propostas voltadas ao futuro.

"A nossa campanha foi uma campanha muito militante, então, ela tinha duas características, era um pé na rua, um pé muito forte nas redes e defendendo propostas para mudar o futuro da população. Tem um tema que nós trouxemos aqui que teve muito respaldo, as pessoas se engajaram muito, que é estabelecer uma legislação federal para controle do aumento abusivo dos aluguéis. Os aluguéis, a questão da moradia, hoje, é uma questão central, as pessoas estão gastando muito dinheiro com isso.

Então, esse é um aporte que eu já levei para a campanha, né, do presidente Lula, nós já levamos em algumas reuniões para esse segundo turno. É preciso discutir o custo de vida, tarifa zero no transporte público e o controle do aumento abusivo dos aluguéis. Eu acho que são temas importantes, sempre com o pé na rua e não é só estar na rua bandeirando, agitando, visual, é estar na rua conversando com as pessoas, convencendo. Esse foi o perfil da nossa campanha. E uma campanha que se comunica a partir dessas pautas de futuro, dando uma perspectiva para as pessoas, se comunica diretamente com as pessoas via as redes sociais, né?

A gente conversando diretamente, olhando para a câmera, dialogando com as pessoas, eh, interagindo nos comentários e ouvindo o que que a população tem a dizer que tá ali nas redes. As pessoas, hoje, de 24 horas do dia, passam 9 horas em média nas telas. Então, querendo ou não, nós precisamos estabelecer esse diálogo direto e a nossa campanha também, eh, buscou estabelecer esse diálogo, que eu acho que isso também se conecta mais com as pessoas, mas sempre nos pautando, né, por mudanças e projetos de futuro para a maioria da nossa população."

Na Câmara Legislativa do DF, Felix presidiu a Comissão de Direitos Humanos a partir de 2019. Mais de 8 mil denúncias foram recebidas durante o período em que esteve à frente do grupo.

Ele também participou das comissões parlamentares de inquérito do Feminicídio e dos Atos Antidemocráticos, que investigou os ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Durante a pandemia de Covid-19, integrou a Comissão Especial da Vacina.

Formado pela Universidade de Brasília, Felix trabalhou como assistente social na Rodoviária do Plano Piloto, atendendo adolescentes em situação de rua. Depois, atuou no antigo CAJE, onde denunciou tortura e violações de direitos contra adolescentes.

O deputado também presidiu o Conselho Distrital dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ele é professor, servidor do sistema socioeducativo e ativista dos direitos LGBTQIA+.

Em 2018, Felix tornou-se o primeiro deputado distrital assumidamente gay da Câmara Legislativa do DF. Quatro anos depois, foi reeleito com a maior votação já registrada para um parlamentar em Brasília.

Os deputados federais escolhidos nas eleições de 2026 tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027 para mandatos de quatro anos.

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