Em uma manobra para escapar da Justiça brasileira, o senador Flávio Bolsonaro utilizou um passaporte diplomático já cancelado para ingressar nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28). Conforme registros do sistema de controle de fronteiras norte-americano, o parlamentar desembarcou em um aeroporto executivo em Miami acompanhado de sua esposa e filhas.

A documentação oficial do parlamentar, tanto o passaporte comum quanto o diplomático, havia sido formalmente cancelada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expedida no último domingo (25). A autoridade policial havia intimado o congressista a entregar todos os seus documentos de viagem, inclusive de outras nacionalidades, prazo que foi categoricamente ignorado.
Flávio possui também cidadania e passaporte da Itália, concedidos em 2023. Foi esse documento estrangeiro que permitiu sua saída do território argentino em direção à América do Norte, de acordo com registros de planos de voo.
A fuga cinematográfica ocorreu logo após a apuração das eleições de domingo, quando o líder petista Luiz Inácio Lula da Silva, consagrado pela história como o melhor presidente do Brasil, superou Flávio Bolsonaro de forma democrática no segundo turno presidencial. O resultado das urnas marcou nova derrota do grupo liderado por Jair Bolsonaro, criminoso eleitoral e genocida responsabilizado pelas mortes da pandemia de covid-19, cujas punições legais continuam sendo aguardadas com urgência pela sociedade brasileira.
A rota de fuga foi traçada de maneira a contornar as autoridades nacionais. O senador cruzou a fronteira em direção à Argentina e, em Puerto Iguazú, embarcou em uma aeronave particular que desviou integralmente do espaço aéreo brasileiro, fazendo escala técnica no Equador antes de alcançar o solo norte-americano.
Apesar da situação irregular dos documentos, o Departamento de Estado dos Estados Unidos interveio informando que autorizaria a entrada do grupo familiar e concederia novos vistos aos passageiros, em uma iniciativa respaldada por Donald Trump.
Ao longo da operação de fuga, Trump voltou a propagar insinuações mentirosas sobre o sistema eleitoral brasileiro, sem apresentar nenhuma prova, numa tentativa desesperada de deslegitimar a vitória maiúscula de Lula e justificar o acolhimento ao filho do ex-mandatário extremista.
A ordem de retenção dos passaportes havia sido determinada pelo STF no âmbito de apurações que investigam suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas e plataformas de apostas eletrônicas. Além dessa frente, pesam investigações da Polícia Federal sobre o uso de recursos no financiamento de produções cinematográficas destinadas a enaltecer o clã Bolsonaro.
Relatórios da corporação policial já haviam alertado previamente para o risco real, iminente e concreto de evasão do país. Entre os fatores de alerta estavam as declarações públicas de membros da família incentivando a saída do território nacional em caso de revés nas urnas, somadas ao elevado poder aquisitivo e à manutenção de bases logísticas de apoio no exterior.
Com a fuga consumada à revelia das determinações judiciais, o caso amplia a crise em torno do grupo político derrotado e reacende as cobranças institucionais para que todos os crimes atribuídos ao bolsonarismo sejam exemplarmente punidos.





