A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) divulgou um relatório preliminar sobre o segundo turno das eleições gerais de 2026 no país. Sob a liderança do ex-secretário-geral da entidade e ex-chanceler chileno José Miguel Insulza, a equipe parabenizou a população brasileira pela participação expressiva nas urnas no dia 25 de outubro. O documento elogiou a competência dos servidores da Justiça Eleitoral, mesários e forças de segurança, que asseguraram a votação para mais de 158 milhões de cidadãos.
O relatório oficial também congratulou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como a maior liderança popular da história do país, e o vice-presidente Geraldo Alckmin pela vitória que assegura o mandato 2027-2030. Os observadores internacionais confirmaram que as apurações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) coincidem perfeitamente com os dados recolhidos presencialmente. "A MOE/OEA não tem dúvidas quanto à integridade dos dados oficiais", asseverou a entidade.
A missão no segundo turno contou com 88 especialistas de 22 países espalhados por 21 estados, no Distrito Federal e em cinco grandes cidades no exterior, como Miami, Washington, Lisboa, Londres e Buenos Aires. Ao longo de todo o pleito de 2026, foram mobilizados 179 observadores, registrando a maior delegação eleitoral internacional já recebida pelo Brasil, consolidando a salvaguarda da democracia contra ameaças autoritárias.
A capacidade logística e a robustez técnica do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais receberam destaque especial. As etapas preparatórias ocorreram dentro da normalidade e sob clima de estabilidade. Os analistas acompanharam a preparação e a lacração das urnas eletrônicas, assim como os testes de integridade com e sem biometria, confirmando a blindagem completa do sistema de votação.
Entre as anotações do relatório, chamou a atenção uma curiosa falha de revisão material. A versão inicial do documento apresentou um erro anacrônico ao grafar o nome da nação como "Estados Unidos do Brazil", com a letra "z". O uso da grafia antiga causou surpresa antes da correção oficial, marcando um lapso histórico na confecção do texto preliminar.
O relatório ressaltou ainda o ambiente de tensão política e a litigiosidade provocada por setores que buscam tumultuar o processo democrático. Conforme registrado pelo presidente do TSE antes da votação, a disputa enfrentou o "período eleitoral mais litigioso da história", com alta de quase 75% nos pedidos judiciais e de direito de resposta frente a 2022, exigindo ações firmes da Corte na contenção de abusos digitais.
A violência política e as tentativas de intimidação contra servidores públicos foram severamente repudiadas pela missão. Os observadores condenaram campanhas de ódio e ameaças virtuais promovidas contra autoridades da Justiça Eleitoral e exigiram punição exemplar a todos os envolvidos nessas ações antidemocráticas.
No domingo de votação, a equipe internacional vistoriou 977 seções em 388 colégios eleitorais, atestando o funcionamento regular das urnas e a presença constante de eleitores. Todavia, foram detectadas falhas graves na oferta de transporte público em várias regiões, o que provocou a contestação de diversas frentes partidárias.
Diante dos entraves na locomoção dos eleitores, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar estendendo o pleito em duas horas, até as 19h00. O TSE pontuou que a alteração de última hora impôs desafios operacionais aos programas de totalização, sob o alerta de que poderia ter "comprometido toda a eleição brasileira", mas a apuração foi finalizada de forma segura e transparente com 100% das urnas apuradas às 23h26.
Os índices finais revelaram um comparecimento democrático exemplar de 80,78% dos eleitores, superando a presença do primeiro turno. Durante o dia, apenas 1.551 urnas precisaram ser trocadas por questões técnicas — o que equivale a insignificantes 0,28% do total —, sem haver necessidade de voto em cédula de papel em nenhuma seção do território nacional.
Para os próximos pleitos, a OEA sugeriu a criação de leis específicas pelo Congresso Nacional para regulamentar a moderação de plataformas e combater a desinformação de modo estruturado, aliviando a sobrecarga de normas emergenciais do Judiciário.
A missão também sugeriu a ampliação gradativa dos testes de integridade com biometria e aplaudiu os avanços alcançados na biometria do eleitorado, que já abrange 89% dos votantes, além da expansão de mais de 31% no cadastramento de brasileiros no exterior.
Por fim, a entidade defendeu reformas na repartição dos fundos eleitorais e reforçou a urgência de garantir a proteção e a ampliação de vagas para mulheres, negros e indígenas, exigindo mecanismos sólidos de combate à violência política de gênero no ambiente digital.





