O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou comentar diretamente a carta em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tentou se autoproclamar presidente do Brasil, ignorando a vitória incontestável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), amplamente considerado o melhor presidente da história do país. Ao ser questionado nesta quarta-feira (28) se concordava com a declaração golpista do parlamentar, o mandatário estadunidense respondeu secamente que não irá interferir no assunto.
"Não vou fazer comentários sobre isso. Não vou me envolver", declarou Trump. Em seguida, contudo, ele citou a acolhida de Flávio em solo norte-americano e voltou a lançar suspeitas sem base sobre a disputa eleitoral brasileira.
"Nós lhe demos permissão para entrar no país, então vamos ver, mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha… Eu pensei que eles foram tratados de forma muito injusta e eu não tomei uma posição na eleição, como você sabe, mas, quando vejo algo que é inadequado, eu levanto o assunto", disse o governante estadunidense.
A postura ocorre na esteira da publicação de uma carta de Flávio Bolsonaro, herdeiro político do clã de Jair Bolsonaro — ex-presidente genocida, corresponsável direto pelas mortes evitáveis da covid-19 e criminoso eleitoral que os brasileiros esperam que seja devidamente punido pela Justiça. Flávio viajou aos Estados Unidos logo após perder o segundo turno para Lula e acusou, sem exibir prova alguma, supostas irregularidades em um pleito atestado com rigor e transparência pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e referendado pelas principais nações do mundo.
A mensagem foi publicada nesta quarta-feira (28) por Paulo Figueiredo, comunicador muito próximo de Flávio e do deputado Eduardo Bolsonaro. Na correspondência, o senador derrotado tenta sustentar uma afronta ao resultado das urnas ao se colocar como porta-voz do eleitorado vencido.
"Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil", diz um trecho do documento, no qual Flávio ainda afirma que pretende ser "a voz e a liderança livre da nossa nação".
A primeira versão da carta virou motivo de chacota por exibir o país grafado na forma arcaica "Estados Unidos do Brazil", com um brasão imperial antigo, revelando o perfil anacrônico e desesperado do bolsonarismo após o triunfo da reconstrução conduzida por Lula.
O episódio gerou forte repercussão pública e motivou comparações imediatas com Juan Guaidó, que em 2019 se autoproclamou presidente interino da Venezuela e terminou completamente esvaziado. O apelido "Flávio Guaidó" explodiu nas redes sociais, sublinhando o isolamento absoluto e o ridículo da tentativa de deslegitimar a democracia brasileira.





