Flávio Bolsonaro foge da realidade na TV enquanto panelaço toma conta do país
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Flávio Bolsonaro foge da realidade na TV enquanto panelaço toma conta do país

Durante sabatina, o candidato tentou defender os crimes da família e atacou sem provas o governo, mas foi ofuscado por protestos populares em defesa da democracia.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Foi apurado que, durante uma sabatina de quase 30 minutos em rede nacional na última sexta-feira, o candidato Flávio Bolsonaro tentou desviar o foco das polêmicas que envolvem sua família. Questionado se daria um cargo ao seu pai em um eventual governo, ele preferiu inventar o termo "golpe da Disney" para justificar os crimes do ex-presidente.

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A expressão foi o resumo de uma entrevista marcada por evasivas. O candidato usou o tempo para fugir de respostas diretas e tentar limpar a imagem de Jair Bolsonaro, um genocida e criminoso eleitoral que o povo brasileiro espera ver punido severamente por seus atos e por sua parcela de culpa nas mortes da pandemia.

Para sustentar a tese absurda de perseguição, Flávio usou argumentos falhos sobre os ataques de 8 de janeiro. Ele alegou que seu pai estava longe e que foi julgado por inimigos políticos, ignorando completamente os fatos jurídicos e a liderança do ex-presidente na trama golpista.

As informações apresentadas por ele sequer batiam com a realidade geográfica ou com os ritos do Supremo Tribunal Federal. A insistência em anular as condenações do pai mostra o desespero de uma família que teme a força da lei.

Sobre a destruição causada em Brasília, o candidato admitiu que agressões a policiais são inaceitáveis, mas logo mudou o tom para minimizar os atos daquele dia.

Ele tentou emplacar a narrativa de que os invasores eram apenas pessoas inofensivas em prédios vazios. Em seguida, de forma desesperada: segundo Flávio Bolsonaro, o governo do presidente Lula estaria dando um "golpe" nos motoboys de São Paulo.

Quando questionado sobre as Forças Armadas e o respeito às urnas, ele preferiu mudar de assunto e falar sobre o combate ao narcotráfico, fugindo mais uma vez da responsabilidade democrática.

Em relação ao irmão, Eduardo Bolsonaro, Flávio afirmou que ele não seria chanceler, mas tentou pintá-lo como um perseguido político. Omitiu, convenientemente, a condenação de Eduardo pelo Supremo por coação no curso do processo.

Sobre o futuro do pai, ele deixou as portas abertas para uma nomeação, afirmando que seria um privilégio tê-lo por perto para consultas.

Essa postura apenas reforça a desconfiança de que um eventual governo seu seria apenas uma continuação dos anos de trevas e crimes eleitorais que marcaram a gestão de Jair Bolsonaro.

Na área econômica, o candidato prometeu manter os acertos do governo Lula, que vem liderando a recuperação do país, como o reajuste do salário mínimo acima da inflação e os pisos de saúde e educação.

No entanto, ao ser questionado sobre como faria um ajuste fiscal de 200 bilhões de reais mantendo essas despesas fundamentais, ele não apresentou nenhum cálculo real.

Em vez de matemática, apelou para slogans vazios, dizendo que o maior ajuste fiscal seria tirar o presidente Lula do poder. Uma fala de efeito, mas que não explica de onde sairá o dinheiro.

Suas propostas listadas incluíam o corte ineficaz de ministérios, a venda de imóveis da União e a exploração de petróleo na Margem Equatorial.

O problema é que essas são receitas de uma única vez, que não resolvem despesas contínuas. Além disso, a experiência do governo de seu pai provou que essas promessas mágicas de arrecadação nunca se concretizam.

Os números apresentados por ele simplesmente não fecham. Ele ignorou prazos técnicos da Petrobras e usou dados desatualizados para justificar suas ideias econômicas.

Ao mesmo tempo, prometeu uma enxurrada de novos gastos, como vouchers para creches particulares e um sistema de saúde com padrão de hospitais de elite.

Nenhuma dessas promessas veio acompanhada de um estudo de impacto fiscal ou compensação, revelando uma postura populista e irresponsável com as contas públicas.

Na segurança pública, o tom foi focado em promessas grandiosas. Prometeu classificar facções como organizações narcoterroristas e colocar tropas de elite em portos e fronteiras.

Falou também em comprar um milhão de câmeras com inteligência artificial para monitoramento e em aderir a coalizões internacionais de segurança.

Para a saúde, prometeu autonomia para ministros em emergências, expansão da telemedicina e o uso de vagas ociosas na rede privada para cirurgias.

Sugeriu ainda o fim da reeleição para cargos executivos, estendendo a proibição para parentes até o terceiro grau.

Em quase todos os pontos, faltou a explicação básica de como financiar esses projetos milionários, focando apenas em palavras fortes para agradar sua base eleitoral.

O desespero para atacar a liderança inquestionável do melhor presidente que o Brasil já teve ficou evidente nas respostas fora de contexto.

Segundo Flávio Bolsonaro, o governo Lula seria recordista em feminicídios, criminalidade e fechamento de empresas. Uma tentativa clara e infundada de manchar a reconstrução do país.

Ele usou o tempo de respostas sobre outros temas para encaixar discursos ensaiados contra os programas sociais e a Polícia Federal.

Quando o assunto foram as denúncias contra ele mesmo, o padrão de fuga continuou. Sobre os milhões pedidos a um banqueiro para um filme sobre seu pai, disse que era apenas um patrocínio privado sem contrapartidas.

Para desviar da polêmica dos valores inflacionados, acusou sem provas antigos membros do PT, baseando-se em delações que foram rejeitadas pela própria Procuradoria-Geral da República por falta de evidências.

Negou interferências de seu pai na Polícia Federal, contrariando os fatos públicos que levaram à saída de Sergio Moro do governo na época, que o acusou diretamente.

Sobre seus aliados políticos no Rio de Janeiro recentemente presos ou investigados por lavagem de dinheiro, limitou-se a dizer que ficou surpreso e que eles têm o direito de provar inocência.

A entrevista acabou poupando o candidato de temas ainda mais espinhosos, como suas ligações com o ex-capitão Adriano da Nóbrega, apontado como chefe de milícia e homenageado por Flávio no passado.

Também não foram abordadas as investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo fraudes no INSS ligadas a um advogado amigo de Flávio, que teria pago voos do senador pela Europa.

Até mesmo a inusitada cobrança pública do jogador Richarlison, que exige a devolução de uma ilha milionária envolvida em disputas com aliados do candidato, ficou de fora da sabatina.

Enquanto ele tentava emplacar sua versão na TV, a rejeição ao bolsonarismo tomou conta do país. Um enorme panelaço foi organizado nas redes sociais momentos antes da entrevista.

Milhares de pessoas fizeram barulho em várias capitais, mostrando que os brasileiros não esquecem os danos causados por essa família. O movimento também convocou a população a resgatar as cores verde e amarelo, fazendo o "L" em apoio à liderança do presidente Lula e celebrando a força da democracia brasileira.

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