Flávio promete décadas no poder e confronta STF
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Flávio promete décadas no poder e confronta STF

A quinze dias do segundo turno, candidato do PL defendeu mudanças na Constituição e afirmou que pretende governar ao lado de Jair Bolsonaro.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Ainda faltam quinze dias para o segundo turno das eleições de 2026, mas Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, já fala como se estivesse eleito.

Nesta quarta-feira (7), Flávio voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu mudanças na Constituição e criticou o funcionamento das instituições democráticas.

O candidato afirmou que, se vencer a eleição, pretende permanecer por décadas no poder ao lado de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

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"Pra desespero deles, vai ser o sim fim da era Lula e a gente vai ficar por décadas no poder […] com o presidente Bolsonaro do meu lado, ele vai subir aquela rampa junto comigo."

As declarações contra o STF foram feitas durante o evento que confirmou o apoio do Republicanos à candidatura de Flávio Bolsonaro.

No discurso, o candidato criticou a atuação do Supremo e voltou a defender o que chama de "redemocratização do país", ao alegar que as instituições precisam voltar a ser respeitadas.

"A gente tem que buscar a estabilidade nesse país. Não dá para admitir o Supremo Tribunal Federal da forma como está, a gente tem que proteger as instituições. Não é por causa de um ou outro que a gente tem que baixar a cabeça e achar que tá tudo bem, porque não está tudo bem. Inclusive de ontem para hoje, uma parte da imprensa questionando, é papel da imprensa questionar, quando eu falo que a gente tem que redemocratizar o Brasil. A gente tem que redemocratizar, porque as instituições têm que voltar a ser respeitadas."

Na sequência, Flávio destacou a nova composição do Congresso Nacional. Segundo ele, haverá uma maioria de centro-direita a partir de janeiro.

O candidato também afirmou que a proximidade política entre um eventual governo seu e o novo Congresso poderá facilitar a aprovação de suas propostas.

"Olha o que o povo brasileiro falou nas urnas. Olha o Congresso Nacional que será configurado a partir de janeiro. Acho que nenhum presidente da República com meu perfil casou tanto com um Congresso como esse de centro-direita, em que a maioria está ali estabelecida por identidade programática."

Na terça-feira (6), durante uma entrevista ao lado de Ronaldo Caiado, do PSD, Flávio Bolsonaro já havia defendido mudanças na Constituição. A declaração provocou reações de setores que identificaram um viés autoritário na proposta.

No dia seguinte, após uma reunião com a União Progressista, Flávio não recuou e explicou quais alterações pretende promover.

Entre as propostas citadas estão a redução da maioridade penal, uma reforma do Judiciário, mudanças na reforma tributária e o fim da reeleição.

"Sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC. E o fim da reeleição."

Flávio também comentou a possibilidade de mudar a duração dos mandatos e o alcance do fim da reeleição.

"Se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. É o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o que tem que ser feito, é a reforma política que tem que ser feita."

Ao justificar seu projeto de alteração constitucional, o candidato alegou que o Brasil não vive atualmente uma democracia plena.

"Você acha que o Brasil está numa democracia plena hoje? Reflita. O Brasil está numa democracia plena? Eu vou chegar lá. Agora, a gente tem que respeitar a política, a gente tem várias peças que são possíveis."

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência no primeiro turno, encontrou-se com Flávio na terça-feira e anunciou apoio à candidatura do senador.

Depois da reunião, os dois discursaram para militantes e jornalistas. Caiado declarou que participará de "corpo inteiro" da campanha presidencial de Flávio.

"Você foi eleito, acabou, você está no segundo turno. Você tem o meu respeito. (…) Eu vou entrar com você de corpo inteiro, mas por convicção. Eu vou na minha briga de frente. Flávio, acredite, se tem um homem que quer ver você devolvendo o Brasil aos brasileiros, sou eu. Eu vou, sem dúvida nenhuma, estar ao seu lado."

Flávio também enviou um recado ao Centrão ao afirmar que seu grupo político terá força para eleger os próximos presidentes da Câmara e do Senado.

"Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição."

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