Flávio Bolsonaro ameaça confronto com STF
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Flávio Bolsonaro ameaça confronto com STF

Candidato do PL criticou o Supremo, questionou a democracia brasileira e defendeu mudanças na Constituição durante articulações por apoio eleitoral.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Flávio Bolsonaro elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e indicou que pretende adotar uma postura de confronto com a Corte caso seja eleito presidente da República. As declarações ocorreram no evento que confirmou o apoio do Republicanos à sua candidatura.

Durante o discurso, o candidato do PL criticou a atuação do STF e voltou a defender o que chama de "redemocratização do país". Segundo ele, as instituições precisam voltar a ser respeitadas.

"A gente tem que buscar a estabilidade nesse país. Não dá para admitir o Supremo Tribunal Federal da forma como está, a gente tem que proteger as instituições. Não é por causa de um ou outro que a gente tem que baixar a cabeça e achar que tá tudo bem, porque não está tudo bem. Inclusive de ontem para hoje, uma parte da imprensa questionando, é papel da imprensa questionar, quando eu falo que a gente tem que redemocratizar o Brasil. A gente tem que redemocratizar, porque as instituições têm que voltar a ser respeitadas."

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Flávio também destacou a composição do Congresso Nacional que assumirá em janeiro. Segundo ele, haverá uma maioria de centro-direita alinhada ao seu perfil político.

O presidenciável afirmou que a proximidade entre um eventual governo seu e o novo Congresso poderia facilitar a aprovação de suas propostas.

"Olha o que o povo brasileiro falou nas urnas. Olha o Congresso Nacional que será configurado a partir de janeiro. Acho que nenhum presidente da República com meu perfil casou tanto com um Congresso como esse de centro-direita, em que a maioria está ali estabelecida por identidade programática."

As declarações contra o STF se somam à defesa de mudanças na Constituição feita por Flávio Bolsonaro durante uma coletiva realizada na terça-feira (6), ao lado de Ronaldo Caiado, do PSD.

A proposta provocou reações de diferentes setores, que apontaram um viés autoritário na fala. Apesar das críticas, Flávio não recuou e voltou ao assunto na quarta-feira (7), após uma reunião com a União Progressista.

O candidato afirmou que pretende discutir a redução da maioridade penal, alterações na reforma tributária, uma reforma do Judiciário e o fim da reeleição.

"Sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser alterados por PEC. E o fim da reeleição."

Na sequência, Flávio detalhou que a duração dos mandatos e o alcance do fim da reeleição seriam definidos pelo Congresso Nacional.

"Se vai ser mandato de quatro, de cinco anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador. É o processo legislativo que vai ser respeitado e a maioria vai decidir qual é o que tem que ser feito, é a reforma política que tem que ser feita."

Ao justificar seu projeto de alteração constitucional, Flávio Bolsonaro ainda colocou em dúvida a situação da democracia brasileira.

"Você acha que o Brasil está numa democracia plena hoje? Reflita. O Brasil está numa democracia plena? Eu vou chegar lá. Agora, a gente tem que respeitar a política, a gente tem várias peças que são possíveis."

O ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, encontrou-se com Flávio na terça-feira e oficializou apoio à candidatura do senador ao Palácio do Planalto.

Após a reunião, os dois discursaram para militantes e jornalistas. Caiado declarou que participará de "corpo inteiro" da campanha de Flávio Bolsonaro.

"Você foi eleito, acabou, você está no segundo turno. Você tem o meu respeito. (…) Eu vou entrar com você de corpo inteiro, mas por convicção. Eu vou na minha briga de frente. Flávio, acredite, se tem um homem que quer ver você devolvendo o Brasil aos brasileiros, sou eu. Eu vou, sem dúvida nenhuma, estar ao seu lado."

Flávio também enviou um recado ao Centrão ao afirmar que seu grupo político terá força para eleger os próximos presidentes da Câmara e do Senado.

O candidato relacionou essa futura maioria parlamentar à possibilidade de alterar a Constituição e implementar seu projeto político.

"Elegemos um Congresso muito mais à direita do que ele é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, pra gente mudar a Constituição, pra gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição."

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