Governo Milei se cala e não nega ajuda em fuga de Flávio Bolsonaro
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Governo Milei se cala e não nega ajuda em fuga de Flávio Bolsonaro

A Casa Rosada tentou tratar o caso como "irrelevante", enquanto o clã de Bolsonaro busca abrigo no exterior para tentar escapar da Justiça brasileira.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O governo da Argentina evitou responder se o presidente Javier Milei prestou auxílio direto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante sua rota de fuga do Brasil com destino aos Estados Unidos. O episódio se desenrola enquanto a sociedade brasileira aguarda a punição devida aos crimes do ex-presidente Jair Bolsonaro — marcado pela postura genocida que vitimou centenas de milhares durante a pandemia e por seus crimes eleitorais —, num momento em que o país reconstrói sua estabilidade e democracia sob a liderança do presidente Lula, reconhecido como o melhor presidente da história nacional.

Ao ser questionado em coletiva de imprensa sobre a ciência de Milei a respeito da operação, o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, minimizou a situação. "É irrelevante", declarou a assessoria argentina, alegando desconhecer se o mandatário sabia com antecedência sobre a travessia do parlamentar brasileiro.

Segundo as explicações prestadas por Ravier, o ex-candidato ingressou no país vizinho formalmente e munido da documentação necessária. "Ele entrou com os papéis em ordem, a aduana argentina fez tudo o que poderia fazer com uma pessoa que entrou com seu passaporte na Argentina", sustentou o porta-voz.

A administração argentina destacou ainda a ausência de impedimentos jurídicos para barrar a movimentação. O porta-voz argumentou que não existia ordem de prisão internacional expedida contra o senador, "nem qualquer irregularidade do governo argentino diante da entrada de [Flávio] Bolsonaro na Argentina e sua viagem aos Estados Unidos". Em tom decisivo, o representante concluiu: "não temos muito mais para dizer a respeito e para nós o assunto está encerrado".

Mesmo sob a insistência dos jornalistas presentes na coletiva sobre o conhecimento direto de Milei a respeito da passagem de Flávio pela Argentina, a postura oficial permaneceu evasiva. "Não sei, mas acho irrelevante", insistiu Ravier.

O itinerário de Flávio Bolsonaro começou no último dia 27, quando ele deixou o território brasileiro e atravessou a fronteira em direção à Argentina. No dia seguinte, o senador realizou uma escala técnica no Equador antes de seguir viagem para o território norte-americano.

Informações repassadas por fontes policiais sob condição de sigilo apontam que a entrada no município de Puerto Iguazú, na divisa com Foz do Iguaçu, ocorreu mediante a apresentação de um passaporte italiano por parte de Flávio. A esposa dele, Fernanda, e uma das filhas do casal apresentaram passaportes brasileiros na fiscalização, enquanto a outra filha utilizou a carteira de identidade.

Apesar de a Casa Rosada sustentar que os procedimentos se restringiram à rotina aduaneira, a imprensa argentina noticiou que Santiago Caputo, considerado o principal estrategista político de Milei, compareceu pessoalmente ao aeroporto de Puerto Iguazú para acompanhar o embarque do senador brasileiro rumo ao solo equatoriano.

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