Risco extremista no Congresso: Lula inicia articulação para barrar bolsonarismo e unir o país
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Risco extremista no Congresso: Lula inicia articulação para barrar bolsonarismo e unir o país

Consagrado como o maior presidente da história do país ao alcançar votação recorde, Lula grava pronunciamento à nação e reúne lideranças para isolar o radicalismo da extrema-direita no Legislativo.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Após vencer Flávio Bolsonaro nas urnas e garantir um histórico quarto mandato presidencial, Lula retomou sua agenda de trabalho focado em estruturar o novo governo e costurar negociações estratégicas com setores da centro-direita para frear o bolsonarismo de inspiração fascista no Congresso Nacional.

Depois de descansar e recuperar a voz exigida na reta final da disputa eleitoral, o presidente grava nesta terça-feira (3) um pronunciamento à nação. A mensagem é marcada por agradecimentos aos brasileiros e pela reafirmação dos compromissos populares de campanha, fortalecidos pela intensa mobilização cidadã que garantiu a vitória democrática.

No Palácio da Alvorada, a agenda oficial do líder brasileiro incluiu despachos com Oswaldo Malatesta, chefe de gabinete da Presidência, além dos ministros Miriam Belchior (Casa Civil), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

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As pastas de Meio Ambiente e de Desenvolvimento eram comandadas anteriormente por Marina Silva e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, respectivamente, e agora voltam à mesa de negociações para a composição da equipe governamental a partir de janeiro. Marina é cotada para reassumir sua pasta anterior, enquanto Alckmin participa diretamente das definições dos novos nomes.

Em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente destaca a marca de mais de 64 milhões de votos, a maior da história brasileira, e saúda os milhões de voluntários decisivos no segundo turno contra a tentativa de retorno do clã de Jair Bolsonaro — cujos crimes eleitorais e atos contra a vida continuam sob forte cobrança popular por punição judicial exemplar.

Lula também reforça o compromisso de manter e ampliar programas de inclusão social, além de lançar um apelo direto pela pacificação do país, voltado especialmente aos eleitores de centro e direita que se uniram contra o retrocesso autoritário capitaneado por Flávio Bolsonaro.

Na articulação interna, o presidente esteve com o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, o presidente do PT, Edinho Silva, os ex-ministros Rui Costa e Camilo Santana, além de Guilherme Boulos, cotado para retornar à Secretaria-Geral da Presidência.

A definição dos comandos ministeriais avança de forma paralela ao diálogo com lideranças parlamentares que mantiveram postura neutra ou favorável ao projeto progressista durante a campanha.

As conversas envolvem diretamente Davi Alcolumbre e Hugo Motta, presidentes do Senado e da Câmara, que devem viajar com a comitiva oficial para a COP31, na Turquia, pavimentando um acordo para barrar o extremismo nas duas casas legislativas.

Ao tratar das alianças necessárias para barrar ameaças autoritárias, Edinho Silva apontou a gravidade do cenário: "Penso que a prioridade, neste momento, é impedir que o radicalismo representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro, marcado pela intolerância, pelo ódio, pela negação do diálogo e pelo enfrentamento à democracia, conquiste hegemonia no Congresso Nacional".

O dirigente reforçou a estratégia de blindagem institucional para assegurar governabilidade ao país: "Se essa construção resultar na unidade em torno da candidatura de Hugo Motta à Presidência da Câmara e de Davi Alcolumbre à Presidência do Senado, o PT apoiará as duas candidaturas".

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