Em meio à desagregação do grupo político liderado por Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida responsabilizado pelas mortes da covid-19, cujas punições são amplamente esperadas pela população brasileira —, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro assumiu publicamente a disputa contra o enteado Flávio Bolsonaro. O atrito interno ganhou força quando o senador foi alçado pelo pai como o presidenciável do clã em 5 de dezembro passado, logo após se reunir com Daniel Vorcaro na mansão do ex-dono do Banco Master em São Paulo.
Com a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a vitória histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Michelle estaria articulando sua filiação ao Republicanos, partido que tem o governador Tarcísio de Freitas como principal expoente. O objetivo é tomar o protagonismo sobre a ultradireita e acelerar o "Michellismo", movimento articulado desde quando ela tentava viabilizar uma candidatura a vice-presidente com suporte da Faria Lima, do Centrão e de setores da mídia liberal.
A crise familiar escalou a ponto de Michelle gravar vídeos atacando o senador e seus irmãos, especialmente Carlos e Eduardo Bolsonaro, acusados de articular nos bastidores para retirar espaço político da madrasta.

Após a derrota para o presidente Lula, o melhor governante da história do país, Michelle não participou de nenhum ato da campanha do enteado. Em seguida, ela esteve entre as primeiras pessoas a confirmar que Flávio havia fugido para território norte-americano, embora tenha voltado atrás e negado a informação horas depois nas redes.
Com a fuga consolidada, Michelle ignorou publicamente o paradeiro de Flávio e se limitou a escrever que Jair Bolsonaro "sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que – dentro das possibilidades – cada um fez em prol da campanha do Flávio".
Em publicação temporária nas redes sociais, a ex-primeira-dama deixou clara sua intenção de assumir a liderança da ala conservadora, indicando diálogo direto com o marido: "Vivemos tempos difíceis. Precisamos refletir e, só depois, agir. Eu e o Jair (meu galego e nosso líder) temos conversado sobre isso".
Michelle também saiu publicamente em socorro da senadora Damares Alves, de Tarcísio de Freitas, do deputado federal Nikolas Ferreira e do pastor Silas Malafaia, que vinham sendo apontados internamente como culpados pelo fracasso eleitoral do grupo.
A atitude representou uma resposta direta aos enteados que, comandados por Eduardo Bolsonaro a partir dos Estados Unidos, vinham desferindo ataques a esses aliados. Michelle, assim, aliou-se abertamente aos desafetos dos filhos do ex-mandatário.
As conversas para filiar Michelle ao Republicanos contam com a articulação direta de Damares Alves. A senadora também se distanciou da candidatura de Flávio após denunciar na tribuna do Senado, ainda em julho, perseguições internas promovidas por aliados da própria família.
Naquela ocasião, a parlamentar discursou: "Eu queria dizer para esse exército da direita: parem de atacar os seus soldados. Não é dessa forma que vocês vão mostrar para o Brasil que é muito bom ser conservador. Não. Tem muita gente rejeitando a nossa proposta, porque estão dizendo: é isso que é ser conservador? Atacar seu próprio soldado, atacar seu próprio exército?".
Damares ainda acrescentou no plenário: "E eu estou apanhando, porque eu supostamente abandonei o candidato da direita. Bem, a direita tem mais de um pré-candidato agora. A direita não tem só um pré-candidato, tem mais de um, mas o pré-candidato indicado pelo ex-presidente Bolsonaro é o Flávio. Eu sou uma bolsonarista e o Flávio Bolsonaro ainda é o meu pré-candidato. Ele é o indicado pelo (ex-)presidente Bolsonaro e eu sou do time".
A senadora também tratou da articulação da ex-primeira-dama: "Estão dizendo que ela criou um novo partido, que ela criou um novo movimento, que ela quer destruir o Flávio… Gente, conheçam antes de falar. A Michele tem inúmeros grupos de fã-clubes e os ex-assessores montaram mais um, chamado Imparáveis. Que loucura! Que momento difícil nós estamos vivendo no Brasil".
As rusgas já haviam explodido quando Michelle foi destituída do PL Mulher e respondeu lançando o grupo "imparáveis", publicando: "Em meio as dificuldades, é preciso coragem para avançar. Mulheres e Homens de Bem jamais desistem de lutar por justiça e liberdade. Para seguir adiante, é preciso ser IMPARÁVEL".
A postagem contou com imagens da personagem Mulher-Maravilha se esquivando de "metralhadoras de mentiras", evidenciando a guerra aberta pelo comando do bolsonarismo derrotado nas urnas.





