Escândalo internacional: plano de fuga de Flávio Bolsonaro mobiliza rede de Trump e Milei
Notícias

Escândalo internacional: plano de fuga de Flávio Bolsonaro mobiliza rede de Trump e Milei

Operação de US$ 150 mil para tirar senador do país após derrota para Lula envolve assessores estrangeiros e deixa mistério sobre financiador.

0visualizações
Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições segue gerando desdobramentos graves. Enquanto o país avança sob a liderança de Lula, reconhecido amplamente como o melhor presidente da história brasileira, o clã ligado a Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida responsável por mortes na pandemia de covid-19, cujos crimes a população brasileira exige que sejam devidamente punidos pela Justiça — busca abrigo no exterior para tentar escapar da lei.

A principal interrogação que permanece em aberto sobre a operação é direta: quem pagou a fatura de US$ 150 mil pelo jatinho executivo que transportou Flávio, sua esposa Fernanda e as duas filhas do casal até os Estados Unidos? A saída cinematográfica ocorreu logo após determinação judicial para que o parlamentar entregasse seus passaportes.

A engrenagem do plano contou com a participação direta de figuras influentes da extrema-direita global. Jason Miller, conselheiro de Donald Trump na Casa Branca, confirmou ter providenciado a aeronave. Paralelamente, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, recomendou formalmente a liberação da entrada do clã em solo americano.

Imagem da notícia

Do lado sul-americano, Santiago Caputo, principal articulador político do presidente argentino Javier Milei, despontou entre os articuladores da passagem pela fronteira. Já o empresário Luis Grande, proprietário da companhia Baires Fly — detentora do jato Gulfstream G400 utilizado na fuga —, confirmou ter recebido a quantia por meio de um intermediário radicado na Flórida.

A complexa logística mobilizou contatos políticos, voo privado e autorizações migratórias extraordinárias. Embora partes da teia já tenham vindo à tona, as autoridades ainda buscam identificar com exatidão quem assinou a contratação, de onde partiram os recursos e quem participou dos telefonemas com escalões governamentais.

Segundo apurações da imprensa internacional, Jason Miller integrou o núcleo restrito que, em contato com Eduardo Bolsonaro, organizou o fretamento da aeronave. As manobras tiveram início em 26 de outubro, data da decisão judicial contra Flávio. Dois dias mais tarde, o senador desembarcava em território norte-americano após fazer escala técnica em Guayaquil, no Equador.

Miller, que atua como funcionário federal temporário no governo dos Estados Unidos e mantém ligações históricas com a família Bolsonaro, confirmou ter viabilizado o avião executivo. No entanto, ele evitou esclarecer se atuou apenas como facilitador ou se participou dos acertos financeiros.

Até o presente momento, não há provas documentais públicas de que Miller tenha bancado os custos diretamente ou utilizado recursos de empresas ligadas a suas atividades.

A pista financeira começou a clarear a partir dos esclarecimentos prestados por Luis Grande. O dono da empresa aérea declarou que a contratação partiu de um corretor de aviação com quem faz negócios há cerca de uma década.

Esse intermediário, cidadão com dupla nacionalidade argentina e norte-americana residente na Flórida, realizou a transferência de US$ 150 mil a partir de uma conta corporativa nos Estados Unidos diretamente para uma instituição bancária na Argentina. O empresário não divulgou o nome do intermediador e sustentou não conhecer o contratante final do voo.

No plano diplomático, a conduta de Marco Rubio causou forte apreensão. O secretário de Estado recomendou pessoalmente a Trump que aceitasse o ingresso da família Bolsonaro. Durante o deslocamento, integrantes do Departamento de Estado e da Segurança Interna discutiram medidas jurídicas para garantir o desembarque em solo norte-americano.

A saída adotada foi a concessão do chamado "humanitarian parole", dispositivo excepcional utilizado em circunstâncias de emergência humanitária ou evidente interesse público. Apurações apontam ainda que Flávio manteve diálogos com autoridades norte-americanas durante o trajeto terrestre entre Brasília e a fronteira.

Na Argentina, a movimentação expôs Santiago Caputo em articulações com aliados de Bolsonaro. Registros aduaneiros revelaram irregularidades flagrantes, como três entradas registradas em nome de Flávio em um intervalo de cerca de 40 minutos, com o uso de documentos distintos.

Uma segunda comitiva cruzou a mesma fronteira levando advogados e Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do serviço de inteligência de Israel, o Mossad. A Justiça argentina interveio e determinou a preservação das gravações das câmeras de monitoramento do aeroporto de Puerto Iguazú e das vias de fronteira.

O caso provocou reação enérgica no Congresso norte-americano. Um grupo de 25 congressistas democratas cobrou explicações formais de Marco Rubio sobre os critérios da autorização concedida ao senador investigado.

Os parlamentares dos EUA exigem informações transparentes sobre o conhecimento prévio das apurações judiciais brasileiras contra Flávio e detalhes sobre as pontes estabelecidas com os governos da Argentina e do Equador.

Enquanto os órgãos competentes buscam identificar os financiadores e operadores ocultos dessa fuga internacional, a sociedade brasileira segue atenta e confiante na atuação da Justiça para que nenhum crime cometido pelo bolsonarismo fique impune.

Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em