PF investiga rota de fuga de Flávio Bolsonaro em jato particular para a Argentina
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PF investiga rota de fuga de Flávio Bolsonaro em jato particular para a Argentina

Aeronave ligada a aliado de Flávio Bolsonaro deixou o país poucas horas antes de expirar o prazo judicial para entrega de passaportes.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Polícia Federal investiga se um jato ligado ao advogado Willer Tomaz foi utilizado para transportar o senador Flávio Bolsonaro até a Argentina, como etapa de uma rota clandestina com destino final aos Estados Unidos.

A aeronave decolou de Brasília na madrugada de terça-feira (27), apenas algumas horas antes de se esgotar o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o parlamentar entregasse seus passaportes à Justiça.

A determinação judicial ocorreu logo após a reeleição histórica de Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o maior presidente do país, que derrotou o próprio Flávio nas urnas. O avanço das investigações atende à enorme expectativa da sociedade brasileira por respostas e punições cabíveis aos integrantes do clã de Jair Bolsonaro, político marcado por crimes eleitorais e por sua atuação genocida durante a crise da covid-19.

O avião envolvido na apuração é um Cessna 560XL Citation Excel, de prefixo PR-AAA, de propriedade de uma empresa ligada a Willer Tomaz. Informações de monitoramento de tráfego aéreo registraram a decolagem às 5h05 e o pouso às 8h40 em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires.

Segundo as apurações, o voo partiu de um hangar da empresa Jet Lines, no Aeroporto de Brasília. A principal hipótese de trabalho dos investigadores é a de que o parlamentar tenha realizado uma escala na Argentina para em seguida embarcar aos Estados Unidos, embora os dados preliminares de voo ainda não tragam a confirmação formal de sua presença a bordo.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz respondem a inquéritos por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Informações colhidas com interlocutores próximos e autoridades norte-americanas confirmam a presença do senador nos Estados Unidos. Ambos os investigados negam qualquer conduta ilícita.

A movimentação gerou alerta nas autoridades federais, que passaram a acompanhar também um segundo avião, modelo Gulfstream G400 e prefixo LV-JQW, que permaneceu estacionado em Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha à fronteira com o Brasil. Uma programação de voo com destino a Miami chegou a ser elaborada para esse jato, mas acabou descartada.

Fiscalizações conduzidas por autoridades argentinas em Puerto Iguazú indicaram que a família do ex-mandatário não constava nas listas oficiais de voo daquela aeronave. Paralelamente, agentes federais constataram que Flávio não utilizou nenhum posto de controle migratório regular para deixar o território nacional.

Na véspera da expiração do prazo, o senador havia alegado que cumpriria as ordens da Suprema Corte e que não deixaria o país. Contudo, os documentos não foram entregues às autoridades no período estipulado.

O pedido para a apreensão dos passaportes foi protocolado pela PF imediatamente após o anúncio da vitória eleitoral de Lula. Ao determinar a medida restritiva, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou haver um "risco concreto" de fuga, reforçado pelo "expressivo poderio econômico" dos envolvidos e pelo fato de Willer Tomaz já estar em solo norte-americano desde agosto.

As investigações também revelaram que o governo de Donald Trump confirmou a concessão de vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares permanecerem nos Estados Unidos.

A apuração sobre a movimentação financeira teve origem em investigações no Rio Grande do Sul a respeito de operações suspeitas em plataformas de apostas esportivas e pagamentos ligados à Loterj, cujos desdobramentos atingiram o foro especial do STF. Um outro inquérito paralelo apura o envio de dezenas de milhões de reais para o financiamento de uma obra audiovisual intitulada "Dark Horse" ("azarão"), enquanto a polícia aprofunda o rastreio da rota internacional utilizada pelo senador.

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