Jantar com Flávio aumenta pressão no caso Vorcaro
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Jantar com Flávio aumenta pressão no caso Vorcaro

Dono da Veja participou de encontro com o senador, enquanto a PF é acionada para apurar um arquivo com acusações sem provas contra Lula.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Fábio Carvalho, dono da Veja desde 2018, participou de um jantar com o senador Flávio Bolsonaro, do PL. O encontro foi mencionado pelo empresário João Moreira Salles em um artigo sobre as relações do parlamentar com representantes dos setores empresarial e financeiro.

A informação ganhou relevância após a Veja publicar acusações atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo federal.

Na quinta-feira, 8 de outubro, o grupo Prerrogativas acionou a Polícia Federal para investigar uma possível articulação envolvendo o banqueiro e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro.

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A notícia de fato foi apresentada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. Eles pedem que a PF investigue a existência, a origem e o conteúdo de um arquivo digital que teria um depoimento atribuído a Vorcaro.

O material conteria acusações contra Lula, membros do governo e adversários políticos de Flávio. Até o momento, porém, não houve confirmação sobre a autenticidade ou a finalidade do arquivo.

Segundo os advogados, o suposto material teria sido entregue a terceiros em um disco rígido. Eles ressaltaram que não tiveram acesso à gravação e solicitaram uma apuração antes de qualquer conclusão.

No artigo "O que esses brasileiros sabem?", Moreira Salles chamou a atenção para encontros e jantares de Flávio Bolsonaro com representantes do mundo corporativo e financeiro. Carvalho aparece entre os nomes mencionados.

A presença do empresário no jantar alimenta o debate sobre a relação entre grupos de mídia, interesses empresariais e a disputa política. O encontro, isoladamente, não comprova que Carvalho tenha participado de qualquer articulação.

A Veja afirmou que Vorcaro teria liberado dinheiro para financiar um documentário sobre Lula dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Segundo a acusação atribuída ao banqueiro, o objetivo seria obter vantagens em negócios com o governo federal.

Essa alegação não foi comprovada. A própria revista reconheceu que não existem provas de um encontro entre Lula e Vorcaro.

De acordo com a publicação, os detalhes teriam sido reunidos pelo banqueiro em um anexo encaminhado à Procuradoria-Geral da República.

"Ao contrário do que sugerem essas conversas, não há qualquer prova de que Lula teve realmente esse encontro com Vorcaro", afirma a reportagem.

O caso não teria avançado na Procuradoria por falta de provas. Uma das dificuldades citadas é a alegação de que os pagamentos teriam ocorrido em dinheiro vivo.

A reportagem também atribui a Vorcaro a afirmação de que os pagamentos teriam sido exigidos por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Mesmo assim, o banqueiro não teria conseguido captar recursos em fundos federais.

As acusações atribuídas a Vorcaro, portanto, não comprovam o suposto encontro com Lula nem demonstram, por si só, irregularidades no financiamento do documentário.

Marco Aurélio de Carvalho afirmou ter recebido informações de que Vorcaro teria sido estimulado a prestar um depoimento sobre o financiamento do filme de Oliver Stone.

Segundo os relatos recebidos pelos advogados, o banqueiro teria ouvido a promessa de passar à prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, depois das eleições. Seu pai, Henrique Vorcaro, seria libertado imediatamente.

O pedido apresentado à PF busca esclarecer se houve negociação para produzir ou divulgar acusações com finalidade eleitoral. Os advogados também levantam a hipótese de uma tentativa de desviar a atenção das investigações sobre o Banco Master.

A representação menciona informações de que Vorcaro estaria negociando uma entrevista exclusiva com a TV Globo e a Record. A preferência seria pela emissora que oferecesse mais tempo para a exibição do material.

Uma eventual gravação dentro da unidade prisional dependeria de autorização judicial. Não há confirmação de que a entrevista ou o suposto acordo tenham sido concretizados.

Os advogados querem que a Polícia Federal confirme se o arquivo existe, identifique sua origem e examine o conteúdo. Enquanto a investigação não for concluída, não é possível afirmar que tenha ocorrido uma operação coordenada para prejudicar Lula ou favorecer Flávio Bolsonaro.

Carvalho assumiu o controle da Veja em 2018, após comprar a massa falida da Editora Abril. Sua participação no jantar não constitui prova de envolvimento na possível articulação investigada.

A controvérsia também recorda a atuação da revista nas eleições de 2014. Três dias antes do segundo turno, a Veja publicou a manchete "Eles sabiam de tudo", atribuindo a Lula e Dilma Rousseff conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.

Dilma venceu Aécio Neves no segundo turno com 51,6 por cento dos votos válidos. Posteriormente, surgiram questionamentos sobre as circunstâncias do relato usado para sustentar aquela reportagem.

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