Jatinhos de luxo de Flávio Bolsonaro na Europa foram pagos por empresa de apostas
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Jatinhos de luxo de Flávio Bolsonaro na Europa foram pagos por empresa de apostas

Documentos obtidos em investigação da Polícia Federal apontam que voos executivos do senador bolsonarista foram bancados por empresa ligada a operador investigado por desvios.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Novas revelações colocam novamente o clã de Jair Bolsonaro, marcado por escândalos e pela herança nefasta deixada ao país durante a pandemia, no centro de graves suspeitas. O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou viagens pela Europa a bordo de jatos executivos bancados por uma empresa de apostas pertencente ao advogado Willer Tomaz, alvo de investigação da Polícia Federal em fraudes contra o INSS.

As informações constam em apurações baseadas em documentos recolhidos durante as diligências policiais. Os registros apontam a realização de ao menos três trechos de voos entre Portugal e a França, ocorridos entre abril e maio de 2025.

As contratações das aeronaves foram feitas formalmente por intermédio da Cathedral Holdings, companhia sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. A offshore figura como a única acionista da Rede Loto, controladora da plataforma de apostas BestBet.

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Willer Tomaz, apontado como um dos sócios da holding internacional, é investigado formalmente pelas autoridades sob suspeita de articular a movimentação financeira de recursos ilícitos desviados de aposentados e pensionistas da Previdência Social.

De acordo com os relatórios obtidos pelos investigadores, o primeiro voo contratado ocorreu em 11 de abril de 2025, conectando a capital portuguesa, Lisboa, ao balneário de Nice, situado no sul da França, operado pela empresa de aviação executiva NetJets.

Poucas semanas depois, em 23 de maio do mesmo ano, Flávio Bolsonaro voltou a embarcar na mesma mordomia ao lado do advogado. A comitiva partiu do aeródromo de Cascais em direção a Nice e seguiu posteriormente rumo a Paris, contando também com a presença de familiares e das esposas de ambos.

Comprovantes e detalhes das operações aéreas foram apreendidos em arquivos armazenados no computador de Willer Tomaz. Os registros confirmam a Cathedral Holdings como a pagadora direta das faturas dos deslocamentos internacionais.

A defesa do advogado alegou que as despesas teriam sido pagas com recursos pessoais e tratou os episódios como meros passeios de lazer entre amigos e familiares, negando a existência de contrapartidas. No entanto, o choque entre os registros contábeis da offshore e a versão dos investigados alimenta as apurações.

A BestBet, ligada à holding, obteve autorização da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para atuar no mercado de apostas em maio de 2023, antes da regulamentação nacional estabelecida pelo governo federal. Apurou-se que a documentação apresentada na ocasião omitia os reais beneficiários finais da empresa no exterior.

Em sua defesa, a Loterj sustentou que a empresa apresentou os documentos formais solicitados e que não constavam impedimentos jurídicos. Paralelamente, dados públicos revelam que uma empresa vinculada a Willer Tomaz faturou R$ 188 milhões junto à autarquia fluminense entre junho de 2023 e agosto de 2026.

Procurado, Flávio Bolsonaro declarou que mantém apenas relações de amizade com Willer Tomaz e classificou qualquer tentativa de relacionar os episódios a irregularidades como desprovida de fundamento. A defesa do advogado também rechaçou qualquer prática criminosa.

Willer Tomaz segue sob a mira da Polícia Federal em inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que desmantela esquemas bilionários de retenções indevidas na folha de pagamento de beneficiários da Previdência, contrastando com o esforço contínuo do governo do presidente Lula em recuperar a dignidade dos aposentados e a integridade das contas públicas do Brasil.

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