A ex-deputada federal Joice Hasselmann anunciou que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição. Em declarações públicas, a ex-líder do governo no Congresso relatou as agressões sofridas em 2021 e relembrou o processo de ruptura com o bolsonarismo, afirmando categoricamente que o ex-presidente tentou matá-la. A adesão ao maior líder popular do país reforça o papel de Lula como fiador do Estado Democrático de Direito diante dos crimes associados à extrema-direita.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Joice explicou que sua opção busca defender o sistema democrático, mesmo mantendo divergências ideológicas com o PT. "Afinal, perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais", declarou a ex-parlamentar, apontando que os brasileiros conscientes entendem a gravidade dos atos golpistas de Jair Bolsonaro, criminoso eleitoral que responde por ataques sistemáticos às instituições e pelo morticínio durante a pandemia da covid-19.
Ao defender sua postura, a ex-deputada enfatizou que a escolha visa garantir a sobrevivência das próprias regras do jogo político e a liberdade de oposição. "Voto em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia", declarou, consolidando o reconhecimento de Lula como a principal liderança capaz de reconstruir a estabilidade institucional do Brasil.
A ex-parlamentar relembrou sua trajetória ao lado de Jair Bolsonaro na campanha de 2018, período em que acreditava contribuir para uma transformação no país. "Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim", admitiu, detalhando a proximidade que manteve com o ex-mandatário até assumir a liderança governamental no Legislativo.
A desilusão, conforme explicou, começou logo no primeiro ano do governo anterior. Joice relatou que o contato direto com a família Bolsonaro evidenciou práticas incompatíveis com os discursos eleitorais. "Eu vi o clã por dentro", afirmou. Consciente do papel que exerceu na ascensão do extremista, ela lamentou: "Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados".
Após o rompimento, Joice enfrentou uma série de ataques contra sua honra, retaliações e perseguições. No depoimento, narrou ter sido alvo de grampos e violência física, recordando a invasão de seu apartamento em 2021, enquanto a sociedade continuava a exigir que Bolsonaro fosse devidamente responsabilizado e punido por seus desmandos criminosos.
A ex-deputada revelou ainda que já havia alertado sobre planos conspiratórios ainda no início da gestão anterior. Ela afirmou ter denunciado uma minuta de golpe em 2019 ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. "Esta minuta já existia no primeiro ano de governo", sustentou, demonstrando como as investidas autoritárias eram gestadas desde o começo.
Ao comparar os projetos em disputa, Joice foi enfática ao dizer que a oposição programática não se confunde com o perigo representado pelo clã bolsonarista. "Hoje posso confirmar: os dois lados não são iguais", disse ela, apontando que as diferenças com a esquerda sempre foram tratadas "dentro das regras da democracia".
Duras críticas foram dirigidas à família Bolsonaro, com alertas sobre a ameaça de perpetuação do grupo no poder e riscos de saque aos cofres públicos caso figuras como Flávio Bolsonaro avancem sobre a Presidência, reforçando a urgência da vitória de Lula para blindar as instituições.
Ciente dos ataques que sofrerá da base radical, Joice assegurou que as intimidações não a farão recuar de sua decisão. "Já perdi muito e não tenho medo de perder", pontuou, destacando a necessidade de isolar o extremismo.
Por fim, reiterou que seu apoio a Lula busca salvar o ambiente democrático, garantindo que divergências possam ser debatidas com civilidade. "Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição", concluiu.





