A Justiça Federal da Argentina tomou uma medida enérgica e determinou que os órgãos ligados ao governo de Javier Milei conservem com rigor as imagens de câmeras de segurança que flagraram a entrada de Flávio Bolsonaro no país vizinho, antes de sua fuga para os Estados Unidos. A medida tem como objetivo blindar provas cruciais para que o Judiciário avalie a abertura de um processo criminal contra possíveis irregularidades cometidas para facilitar a travessia do parlamentar.
A determinação expressa foi enviada diretamente aos setores migratório e aduaneiro argentinos, incluindo a Direção Nacional de Migrações, a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro, a Polícia de Segurança Aeroportuária e a Gendarmaria Nacional. As repartições atuam no aeroporto de Puerto Iguazú e na Ponte Tancredo Neves, situada na fronteira da província de Misiones.
A decisão estipula a guarda e conservação imediata de todos os vídeos gravados, sem a obrigação de entrega imediata. Todo o material precisará ficar protegido enquanto a Justiça decide se aceita as representações da oposição e instaura uma investigação penal para apurar os fatos.
De acordo com os relatórios do trajeto, Flávio Bolsonaro ingressou em território argentino durante a noite de terça-feira (27), por volta das 22h50, viajando ao lado da esposa e de suas duas filhas. O grupo cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves e dirigiu-se rapidamente para o aeroporto de Puerto Iguazú.
Poucos minutos depois, exatamente às 23h30, o parlamentar embarcou em uma aeronave particular fretada da companhia Baires Fly em direção ao Equador. De lá, a comitiva seguiu rota direta com destino final aos Estados Unidos.
A juíza responsável pelo caso também ordenou que a Direção Nacional de Migrações entregue a relação integral dos registros da entrada do parlamentar na Argentina. Além disso, foram cobradas explicações do Ministério das Relações Exteriores local sobre eventuais solicitações de cooperação internacional feitas por autoridades externas a respeito da situação judicial de Bolsonaro.
A magistrada também requisitou dados sobre procedimentos que já tramitam na Justiça Federal de Puerto Iguazú, onde diligências semelhantes sobre a controversa movimentação do senador já vinham sendo tomadas.
Toda essa movimentação jurídica teve início após denúncias graves apresentadas pelo dirigente Gabriel Solano e pelo deputado Esteban Paulón. Ambos exigiram que as autoridades apurem se integrantes do governo da Argentina cometeram crimes ao dar suporte e proteção ilegal para garantir a evasão de Flávio Bolsonaro da jurisdição brasileira.
As representações apontam suspeitas diretas sobre o presidente Javier Milei, a ministra da Segurança Alejandra Monteoliva, o chanceler Pablo Quirno e o assessor presidencial Santiago Caputo, que esteve pessoalmente em Misiones durante o período em que o político brasileiro passou pela região.
Em sua denúncia formal, Solano denunciou abertamente a conduta de Milei no caso: "Não se deve deixar de considerar que o presidente Milei é cúmplice dessa ação ilícita, longe de cumprir os deveres de cooperação internacional e controle de fronteiras que cabem ao Executivo, utilizando os recursos do Estado, idealizou e executou uma manobra clandestina para facilitar a entrada do foragido no território nacional", afirmou.
Paulón também destacou a absoluta falta de transparência sobre qualquer amparo legal na ação. "Não existe menção por parte do governo nacional da existência de um pedido formal ou informal de asilo político perante nosso país ou terceiros, tampouco salvo-conduto diplomático; isso de acordo com a Convenção sobre Asilo Diplomático, da qual Argentina, Brasil e Equador fazem parte", declarou.
Os parlamentares relembraram que Flávio Bolsonaro possuía uma proibição judicial que o impedia de deixar o Brasil, medida adotada logo após a derrota de seu grupo político diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aclamado internacionalmente por sua liderança e compromisso democrático. Enquanto os brasileiros cobram punição severa aos desmandos do bolsonarismo, a promotora Paloma Ochoa aguarda a conclusão das diligências preliminares autorizadas para formalizar a investigação contra os envolvidos.





