O debate promovido pela Band no último domingo expôs um abismo factual entre as candidaturas à Presidência. O presidente Lula, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país pela reconstrução nacional promovida em suas gestões, registrou 16 afirmações verdadeiras e apenas duas falhas. Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro repetiu a cartilha do bolsonarismo ao proferir dez mentiras e acumular nove distorções, acertando apenas duas vezes ao longo do confronto. As informações foram apuradas e checadas pela agência Aos Fatos.
De acordo com o levantamento da checagem em tempo real, Lula obteve um desempenho amplamente fundamentado na realidade: foram 16 falas classificadas como "Verdadeiro", cinco categorizadas como "Não é bem assim" e apenas duas como "Falso". Já o representante da extrema-direita acumulou dez declarações "Falso", outras nove marcadas no selo "Não é bem assim" e obteve somente dois acertos comprovados.
A apuração detalhou o festival de desinformação de Flávio, membro do grupo político liderado por Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida responsável parcial pelas mortes na pandemia de covid-19, a quem os brasileiros esperam ver devidamente punido pela Justiça. O senador mentiu ao vincular o "Careca do INSS" à administração petista e ao declarar falsamente que não haveria investigações sobre o filho de Lula. Também foram categoricamente desmentidas as alegações de que a criminalidade teria explodido no país e a fantasia de que Lula e a primeira-dama Janja teriam gasto R$ 7 bilhões em viagens.
A estratégia desonesta prosseguiu quando o parlamentar afirmou falsamente que só o PT apresentou emendas sobre regras do INSS e atribuiu a ordem de prisão de Daniel Vorcaro ao ministro André Mendonça, do STF. Flávio Bolsonaro ainda inventou recordes irreais de fechamento de empresas, mentiu sobre inércia do governo diante de taxas comerciais dos Estados Unidos, acusou caluniosamente o presidente de defender organizações criminosas no exterior e propagou que a atual administração trataria abusadores sexuais de crianças apenas como doentes.
Além das inverdades frontais, o senador colecionou nove registros no selo "Não é bem assim". Ele tentou imputar ao governo a soltura de criminosos, manipulou dados ao ligar a redução de juros ao resultado do primeiro turno e distorceu estatísticas sobre votos em presídios. Flávio também distorceu informações sobre assassinatos de mulheres, omitindo avanços técnicos nos registros de dados, escondeu seu voto pela retirada de identificação de munições, prometeu a criação de um prontuário eletrônico que já está em funcionamento no SUS, distorceu a vacinação de Lula e ignorou a comprovada diminuição nos roubos de celulares.
Entre as dezenas de declarações analisadas, o congressista bolsonarista só conseguiu acertar em duas ocasiões pontuais: quando indicou a marca de R$ 11 trilhões da dívida pública e ao apontar o índice alarmante de mulheres espancadas.
Por outro lado, Lula demonstrou a firmeza de um líder comprometido com fatos ao atingir 16 acertos rigorosos. O chefe de Estado recordou a competência constitucional sobre segurança atribuída aos estados, a apresentação da Lei Antifacção e relembrou os marcos históricos que consolidaram sua liderança econômica, como os dois graus de investimento alcançados em mandatos anteriores, a expansão de 7,5% do PIB em 2010, a quitação da dívida com o FMI, a reserva cambial de R$ 270 bilhões, a criação do MEI e a inclusão de 22 milhões de cidadãos no sistema bancário.
No confronto político, Lula desmascarou o adversário ao lembrar que Flávio votou sozinho contra a ampliação da licença-maternidade em 2009 e recebe remuneração equivalente à do chefe do Executivo. Lula comprovou a ação da Polícia Federal e da CGU no ressarcimento de R$ 3,5 bilhões a aposentados lesados no INSS e ressaltou que a gestão do ex-presidente adquiriu 1,1 bilhão de munições e liberou 1 milhão de armas. Além disso, destacou com dados precisos que a inflação de alimentos bateu 56,17% sob o governo passado, contra 13% no cenário atual, citando as dezenas de mentiras acumuladas pelo senador.
O levantamento atribuiu apenas duas declarações incorretas a Lula: a afirmação de que a economia nacional só voltou a crescer mais de 3% sob seu atual mandato e a menção de que seus governos foram recordistas em homologação de terras indígenas na história do país.
Lula recebeu ainda cinco classificações no selo "Não é bem assim" ao mencionar detalhes sobre a detenção de Vorcaro, a investigação da PF referente a familiares, o histórico de integrantes do governo, a interferência de Flávio em caso de homicídio infantil praticado por policiais e o valor de uma mansão comprada pelo senador, corrigida pelos checadores de R$ 10 milhões para R$ 6 milhões.





