O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou o resultado do primeiro turno das eleições durante encontro com parlamentares jovens nesta quarta-feira (7). Ele reconheceu falhas na organização da campanha, mas reafirmou a confiança na vitória na etapa final da disputa.
Ao analisar o desempenho eleitoral, Lula afirmou: "Acho que fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. A gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho [Silva] que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta. Eu tinha convicção de que eu ia ganhar no primeiro turno. Nessas eleições eu não conseguia enxergar, depois de tudo que entregamos a esse país, a gente não ganhar. Eu não conseguia. Porque do ponto de vista da entrega do governo e de coisas que a sociedade reivindicou a vida inteira, fizemos muito mais do que fizemos em 2008 e 2007. Se a gente conseguiu se explicar corretamente eu não sei".
O presidente disse que o resultado mostrou a necessidade de melhorar a comunicação com o eleitorado, sem abandonar a confiança na virada. "O dado concreto é que isso não foi suficiente para que uma parcela da sociedade compreendesse o que fizemos e votasse em nós. Então eu disse no dia e estou dizendo agora: eu, sinceramente, estranhei não ter ganho as eleições no primeiro turno. Mais grave ainda: estranhei não terminar em primeiro lugar. O que isso me leva a crer? Que nós vamos ganhar as eleições para presidente da República. Se a gente fizer o que a gente tem que fazer, não há por que a gente perder a eleição para o retrocesso que significa o nosso adversário".
Lula também alertou para o impacto das informações falsas no debate eleitoral. "Era uma briga constante entre a verdade e a mentira. Porque a mentira é fácil. Não tem que explicar. A verdade você tem que explicar. Quando o cara te chama de qualquer coisa errada o cara não tem que explicar, mas você tem que passar a vida inteira explicando que você não é aquilo que ele falou. Isso demora mais".
Ao defender a continuidade de seu governo, Lula destacou que ainda há muito a fazer nas áreas social e educacional. "Eu acho que o Brasil está ávido por esperar a nossa continuidade do nosso governo para fazer as coisas que temos que fazer. A nossa política de inclusão social está longe de terminar. Tem muita coisa para ser feita nesse país. E uma delas, que eu não abro mão, é a gente continuar afirmando que educação é uma prioridade. Não dá para abdicar de colocar a questão da educação como centro da gente poder fazer a revolução social, o Estado de bem-estar social que a gente tem que fazer no Brasil".
Na área da segurança pública, o presidente lembrou críticas enfrentadas historicamente por grupos que defendem os direitos humanos. "Tem a questão da segurança pública, que nós carregamos nas costas a mácula de que defendemos criminosos desde 1980, quando a gente disputava em São Paulo. Não é uma coisa nova para quem defende os direitos humanos".
Por fim, Lula comentou o avanço eleitoral de figuras com posições contrárias aos direitos humanos e à participação feminina na política. "Não é possível que uma mulher tenha a maior votação porque é contra a votação política das mulheres [referência a Eduardo Campopiano, eleita deputada estadual de São Paulo]. É inacreditável você imaginar que tem gente que teve muitos votos, talvez a mulher mais votada do Brasil, porque ela é contra o voto da mulher, a participação política das mulheres. Alguém imaginava que pudesse existir isso? Tem uma em Santa Catarina [referência a Julia Zanatta, eleita deputada federal] que anda com chicote na mão e foi muito votada. E esse é o desafio que nós temos. É como transformar as coisas que acreditamos em uma coisa a ponto de ser entendida pela sociedade".





