O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, participou neste domingo (11) de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo. A mobilização reuniu apoiadores, aliados e lideranças políticas.
Entre os presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra Marina Silva, o deputado federal Guilherme Boulos e os governadores reeleitos Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.
O ato começou por volta das 11h, na região do Museu de Arte de São Paulo, o Masp. A manifestação integrou uma agenda de entidades ligadas à educação, à ciência e à tecnologia.
As organizações divulgaram uma carta conjunta em defesa da democracia, do financiamento público da educação e da pesquisa, da valorização de professores e cientistas e da autonomia das universidades.
A mobilização foi convocada pela Associação Nacional de Pós-Graduandos, com a participação da União Nacional dos Estudantes, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da Academia Brasileira de Ciências.
Após os discursos dos governadores, Lula falou por menos de dez minutos. O presidente concentrou sua mensagem na necessidade de ampliar a participação dos eleitores no segundo turno.
Lula pediu que seus apoiadores conversem com pessoas que não votaram no primeiro turno, incluindo eleitores com mais de 70 anos, para os quais o voto não é obrigatório.
"Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote. Entre abstenção e pessoas que não foram votar, são 30 milhões. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar. Porque, se essa pessoa não quer votar por ela, tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer as pessoas", disse.
O presidente também criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Lula destacou os danos provocados pelo desprezo à ciência e à medicina naquele período.

"Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é simples. Vocês sabem o que a família bolsonarista fez nesse país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas. Vocês viram quantos milhões de pessoas foram enterradas em sacos pretos sem poder se despedir da sua família, porque tivemos um presidente irresponsável, que duvidou da ciência, que não acreditou na medicina", afirmou.
Ao tratar de um eventual novo mandato, Lula apresentou propostas voltadas à formação profissional, à inteligência artificial, à indústria digital, à transição energética e à segurança pública.
"Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital. A gente vai ter que fazer a evolução energética. A gente vai ter que fazer uma revolução na segurança pública, porque nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos, para que a sociedade possa viver tranquila", declarou.
Depois do ato, Lula conversou com jornalistas sobre o fim da escala de trabalho 6 por 1, a PEC da Segurança Pública e decisões da Justiça Eleitoral.
Sobre a escala 6 por 1, o presidente afirmou que a votação está prevista para quarta-feira. Segundo ele, a oposição terá de mostrar se apoia ou rejeita a ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores.
Questionado sobre um possível adiamento para depois do segundo turno, Lula disse que a data já havia sido acertada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
"Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor. Eles vão ter só isso. O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade", declarou.
Lula também cobrou uma posição clara do PL sobre a proposta de mudança na jornada de trabalho.
"O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais. É isso", disse.
Na área da segurança, o presidente afirmou que a PEC da Segurança Pública permitirá definir as responsabilidades da União e dos municípios, além de ampliar a participação do governo federal no combate ao crime organizado.
Lula ainda alertou para possíveis cortes de direitos por parte de seu adversário. Ele comparou essas medidas às adotadas pelo governo de Javier Milei, na Argentina, e disse que elas poderiam atingir principalmente a população mais pobre e os aposentados.
O presidente também comentou a decisão do ministro Nunes Marques que derrubou o canal do deputado federal André Janones. Lula classificou a medida como um absurdo e afirmou que os advogados de sua candidatura deverão pedir explicações à Justiça Eleitoral.
"Eu acho um absurdo. Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar, sabe, com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral. Porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", declarou.
Lula afirmou ainda ter percebido bloqueios de perfis ligados ao seu grupo nas redes sociais e criticou o que considera uma interferência indevida no processo eleitoral.
"Nós vamos hoje, sabe, entrar na Justiça com um pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição", afirmou.
Além da manifestação na Avenida Paulista, apoiadores de Lula realizaram atos em outras cidades. Em Campinas, a concentração começou às 10h no Largo do Rosário, no Centro.
Os participantes fizeram a "Marcha pela Democracia" e caminharam por vias da região central. O ato terminou por volta das 13h20, e a dispersão começou cerca de dez minutos depois, com a liberação da Avenida Francisco Glicério.
Em Belo Horizonte, apoiadores promoveram um bandeiraço com o bloco "Sou Vermelho" no quarteirão fechado da Rua dos Carijós. Depois, os participantes caminharam pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.
A região da Praça Sete foi monitorada pela Unidade Integrada de Trânsito, formada pela BHTrans, pela Guarda Civil Municipal e pela Polícia Militar, para garantir a segurança dos participantes e organizar o tráfego.





