O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo (11) a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a suspensão do canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp.
Em declarações a jornalistas, Lula questionou a atuação da Justiça Eleitoral e informou que seu partido recorrerá para contestar a medida, considerada pela campanha um fator de desequilíbrio na disputa presidencial.
"Já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura e nós não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas que querem votar em mim", declarou o presidente.
Lula também defendeu que o processo eleitoral siga sem interferências indevidas. "Não é possível que o presidente da justiça eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da justiça", afirmou.
A decisão de Nunes Marques foi tomada neste domingo, após uma representação apresentada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A campanha do parlamentar alegou que o canal disseminava de forma coordenada informações falsas contra sua candidatura.
A ordem determina que o WhatsApp interrompa o funcionamento do canal em até três horas depois da notificação. Até a homologação do resultado do segundo turno das eleições de 2026, ficam impedidas novas publicações e a entrada de seguidores.
Ao comentar a disputa nas redes sociais, Lula disse considerar positivo o desempenho de seus apoiadores. O presidente relacionou essa mobilização digital às decisões judiciais que atingiram canais e participantes ligados à campanha petista.
"Eu vejo que na rede social nós estamos ganhando o jogo. Eu sei que o nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, está postando muita coisa e é por isso que eu estou desconfiado do comportamento da Corte Eleitoral que tem bloqueado muita gente nossa e tem permitido que as ações deles continuem existindo", disse.
Lula anunciou que o PT apresentaria uma medida judicial para questionar a condução da disputa nas plataformas digitais. "Nós vamos hoje, sabe, entrar na justiça com o pedido do nosso partido para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar a intromissão indevida da justiça eleitoral", afirmou.
Criado por Janones para organizar apoiadores de Lula nas redes sociais, o canal "Exército do Lula" cresceu após o primeiro turno e ultrapassou 3 milhões de seguidores. O espaço passou a ser uma importante ferramenta de mobilização digital da campanha.
Na decisão, Nunes Marques considerou que o canal funcionava como uma estrutura centralizada para distribuir conteúdos políticos. Segundo o ministro, algumas publicações compartilhadas no espaço já haviam sido consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral.
A representação de Flávio Bolsonaro questionou mensagens sobre supostos vínculos do candidato com milícias e sobre uma alegada intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Também foram contestadas publicações sobre possíveis reduções de aposentadorias, benefícios assistenciais e reajustes do Bolsa Família.
A campanha de Flávio apresentou as mensagens como exemplos de desinformação eleitoral. Nunes Marques concluiu que a remoção isolada das publicações não seria suficiente para interromper a circulação do material questionado.
A determinação está limitada ao canal do WhatsApp e não proíbe Janones de utilizar o aplicativo. O ministro ordenou ainda que a empresa informe ao TSE, em até 48 horas, quais medidas foram adotadas e identifique outros canais eventualmente vinculados ao deputado.
O WhatsApp também deverá preservar por um ano os registros, as mensagens e os dados associados ao canal. A possibilidade de impedir individualmente Janones de utilizar a ferramenta de canais ainda depende de esclarecimentos da plataforma.
A coordenação da campanha de Lula informou que avalia medidas para contestar a suspensão. Em manifestação, o grupo afirmou: "Causa estranheza e revolta a decisão do ministro Nunes Marques e a campanha está analisando as medidas jurídicas cabíveis".
Janones criticou a determinação, convocou os participantes do canal a compartilharem conteúdos e anunciou a criação de um novo espaço no Instagram para manter a mobilização dos apoiadores do presidente.
A decisão ocorre enquanto tramita outra ação apresentada por Flávio Bolsonaro contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Janones. O processo pede a cassação do registro ou do diploma da chapa Lula-Alckmin e a inelegibilidade dos responsáveis por supostas práticas abusivas.
No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a defesa de Flávio fornecesse esclarecimentos adicionais e documentos relacionados à ação. Também foram definidos prazos para as defesas dos investigados. O recebimento do processo não confirma as acusações, que ainda dependem da análise das provas pela Justiça Eleitoral.





