A poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro de 2026, o jurista e ex-ministro Eugênio Aragão alertou para o peso histórico da decisão dos eleitores brasileiros.
Na avaliação de Aragão, uma escolha equivocada pode "condenar o Brasil ao subdesenvolvimento" e reduzir a capacidade do país de decidir seu próprio futuro.
O jurista afirmou que o mundo atravessa uma disputa entre dois caminhos. Um deles seria baseado no conflito, na exploração e na concentração de poder. O outro priorizaria a cooperação, o desenvolvimento sustentável e o respeito aos direitos dos povos.
Aragão chamou o primeiro modelo de direito do poder. Nesse sistema, países e líderes mais fortes impõem seus interesses, inclusive por meio de intervenções em outras nações e da exploração de riquezas estrangeiras.
Segundo ele, a atuação de Donald Trump representa esse modelo unilateral, que ignora o sofrimento humano e contribui para aprofundar a desigualdade entre os países.
O segundo caminho foi definido como poder do direito. Ele seria sustentado pela cooperação entre as nações, pelo equilíbrio dos interesses e pela busca de um crescimento mais justo, sustentável e humanitário.
Para Aragão, o segundo turno brasileiro coloca essas duas visões em confronto direto e terá consequências que ultrapassam as fronteiras nacionais.
O ex-ministro também criticou setores da oposição e das elites econômicas ligados ao capital financeiro especulativo. Na avaliação dele, esse alinhamento com interesses estrangeiros representa uma "adulação piegas" e ameaça a soberania brasileira.
"Quando o outro candidato se alinha aos Estados Unidos, ele está abrindo as porteiras para o direito do poder […] para a exploração do Brasil, sem qualquer consideração pelo interesse do povo brasileiro", pontuou Aragão.
De acordo com o jurista, aceitar essa lógica colocaria o Brasil em uma posição subordinada na economia mundial, prejudicando a industrialização, a soberania e a busca por justiça social.
Como alternativa, Aragão defendeu a continuidade do projeto liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associado ao desenvolvimento nacional, à inclusão social e à ampliação de direitos.
Ele destacou que os governos desse campo político buscaram fortalecer a participação da sociedade civil e criar políticas públicas voltadas às necessidades da população.
Entre os avanços mencionados estão a redução do desmatamento e a proteção das mulheres e de grupos vulneráveis, incluindo a população LGBTQIA+.
Aragão também citou investimentos no ensino público, a expansão das moradias populares pelo Minha Casa, Minha Vida e o fortalecimento do SUS, da Farmácia Popular e do Mais Médicos.
Ao concluir sua análise, o ex-ministro afirmou que o voto de 25 de outubro decidirá entre um caminho de subordinação e exploração e outro de soberania, direitos, inclusão e desenvolvimento para o Brasil.





