Propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro foram comparadas ao modelo adotado por Viktor Orban na Hungria. A análise alerta para o risco de mudanças legais enfraquecerem gradualmente as instituições democráticas brasileiras.
Após 16 anos sob Orban, a Hungria é apresentada como exemplo de uma autocracia eleitoral. Com maioria parlamentar, o governo alterou a Constituição, reduziu a autonomia do Judiciário e ampliou o controle sobre a imprensa.
Guardadas as diferenças entre os dois países, a análise afirma que Flávio pretende seguir uma estratégia semelhante. Donald Trump e Marco Rubio são apontados como referências externas do projeto, e Rubio teria sido convidado a participar de uma eventual transição de poder.
Na Hungria, Orban promoveu mudanças profundas na Constituição e criou as chamadas leis cardinais. Com apoio no Parlamento, essas regras ajudaram a proteger o modelo ultraconservador de seu partido.
No Brasil, Flávio já anunciou a intenção de promover mudanças constitucionais. A análise também menciona a PEC das Praias e alerta para o possível controle do acesso popular por empreendimentos privados, como cassinos.
Outra medida adotada por Orban foi o aumento do número de integrantes da Suprema Corte. Seu governo também reduziu de forma obrigatória a idade de aposentadoria de magistrados antigos.
Segundo a análise, Flávio teria a intenção de interferir no Judiciário para beneficiar seu pai, Jair Bolsonaro, e aliados. A avaliação aponta que esse movimento poderia reduzir os mecanismos de controle entre os Poderes.
O governo de Orban também transformou canais estatais de comunicação em instrumentos de propaganda política. Esse processo contribuiu para enfraquecer a imprensa independente na Hungria.
A análise afirma que Flávio, assim como Jair Bolsonaro, reage de forma hostil à imprensa livre. Esse comportamento é apresentado como mais um sinal de possível retrocesso democrático.
Na área eleitoral, o governo húngaro redesenhou distritos para favorecer o partido governista. A prática alterou a disputa política e ampliou as vantagens do grupo no poder.
Flávio pretende eleger 19 senadores e 121 deputados federais, segundo o texto analisado. Com essa base, buscaria alterar pontos da Constituição e mudar regras eleitorais em benefício de seu grupo político.
Orban também ampliou o controle sobre as diretrizes escolares, revisou livros didáticos e restringiu a autonomia das universidades. Essas medidas fizeram parte de uma guerra cultural promovida por seu governo.
No Brasil, Flávio e as forças políticas que o apoiam são acusados de hostilidade contra setores da cultura, das universidades e da ciência, frequentemente classificados por eles como comunistas.
A comparação aponta um risco de desmantelamento gradual das instituições por meios legais e constitucionais. O alerta central é que mudanças aprovadas formalmente também podem concentrar poder, reduzir direitos e comprometer a democracia.





