O Tribunal Superior Eleitoral determinou no sábado (10.out.2026) que Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), retire do Instagram, em até 24 horas, um vídeo no qual acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de receber propina. A decisão prevê multa diária em caso de descumprimento. Se a ordem não for atendida, a Meta deverá remover a publicação no mesmo prazo.
A decisão foi assinada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze. No vídeo, publicado na 6ª-feira (9.out.2026), Gaspar alega que Lula teria cobrado R$ 1 bilhão para permitir que o empresário Daniel Vorcaro tivesse acesso a fundos de pensão federais. A gravação também menciona um investimento de R$ 30 milhões, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), e o senador Jaques Wagner (PT).

O conteúdo foi divulgado depois de uma reportagem da revista Veja. Segundo a publicação, Vorcaro teria admitido a liberação de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para que o Instituto Lula financiasse um documentário sobre o presidente. A revista também apresentou um áudio atribuído ao ex-banqueiro.

Lula negou ter pedido ou recebido qualquer vantagem financeira de Vorcaro. O presidente também afirmou que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. Sua campanha contestou as alegações e anunciou que adotará medidas judiciais.
Daniel Bialski, advogado que integra a defesa de Vorcaro, confirmou que a voz presente em um dos áudios é de seu cliente. Ele declarou, porém, que desconhece quando e em quais circunstâncias a gravação foi realizada. O reconhecimento da voz não comprova a veracidade do relato nem a existência do pagamento citado.
A Polícia Federal informou, antes da publicação do vídeo, que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem. A instituição também afirmou que não recebeu anexos, documentos ou informações com esse teor.
A Procuradoria-Geral da República declarou que não houve depoimento oral nem contato direto com Vorcaro. Segundo o órgão, as conversas foram conduzidas pelos advogados do investigado, e a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada por ele foi rejeitada.
Ao justificar a ordem de remoção, Bellizze afirmou que a publicação ultrapassou os limites da crítica política legítima. De acordo com o ministro, não foram apresentadas provas capazes de sustentar as acusações de envolvimento de Lula em uma organização criminosa ou na prática de crimes graves.
Gaspar foi procurado por e-mail neste domingo (11.out.2026) para comentar a decisão, mas não havia respondido até a publicação da reportagem.





