Queiroz negocia cargos antes mesmo da decisão das urnas
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Queiroz negocia cargos antes mesmo da decisão das urnas

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro procura interlocutores para discutir postos em um eventual governo, embora não exista confirmação de que tenha autorização do candidato.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, movimenta-se nos bastidores como se a vitória do antigo chefe na eleição presidencial já estivesse definida. Segundo informações divulgadas, ele tem procurado interlocutores para tratar de cargos em uma eventual administração.

Durante essas conversas, Queiroz daria a entender que possui autorização de Flávio para participar das negociações. Até o momento, porém, não há confirmação de que o candidato tenha permitido que o ex-assessor atue como seu representante ou discuta a formação de uma possível equipe de governo.

A movimentação chama atenção pelo histórico de Queiroz, personagem central das investigações sobre o caso conhecido como "rachadinha" no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele também trabalhou como motorista e segurança do então deputado estadual.

O episódio ganhou repercussão após a identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas e de denúncias sobre a devolução de parte dos salários de servidores. O Ministério Público do Rio de Janeiro apontou Queiroz como operador do suposto esquema.

Flávio Bolsonaro sempre negou envolvimento nas irregularidades investigadas. Em abril de 2026, voltou a rejeitar as acusações e afirmou que Queiroz tinha autonomia para atuar no gabinete.

As investigações foram encerradas depois que decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça invalidaram provas utilizadas na apuração. Em setembro, uma decisão do ministro Gilmar Mendes tornou públicos detalhes de outra investigação relacionada ao caso.

Entre os documentos divulgados estavam mensagens envolvendo Queiroz, Danielle Nóbrega e Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope. A retomada do assunto ocorreu durante a campanha presidencial e voltou a expor a ligação do ex-assessor com um dos episódios mais controversos da trajetória política de Flávio.

Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Até a conclusão da votação, qualquer negociação sobre cargos ou composição de governo depende do resultado das urnas.

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