A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial de 2026 continua aberta, segundo o economista Paulo Nogueira Batista Júnior. Em depoimento dirigido a estudantes de Relações Internacionais da PUC de Campinas, ele afirmou que a pequena diferença registrada no primeiro turno, liderado por Flávio Bolsonaro, ainda pode ser revertida.
"A batalha continua, a luta continua, a eleição não está liquidada", afirmou Nogueira Batista Jr. Para ele, a reação depende da compreensão dos eleitores sobre os projetos políticos em disputa e seus possíveis efeitos para a democracia e a soberania brasileira.
O economista declarou que sua avaliação não representa apoio automático a partidos. Embora tenha mencionado críticas a aspectos do Partido dos Trabalhadores e do governo, ele ressaltou que Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas profundamente diferentes para o futuro do país.
Nogueira Batista Jr. descreveu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um líder experiente, equilibrado e respeitado internacionalmente. Em sua avaliação, Lula funciona como um "instrumento de defesa do Brasil contra o desastre" e representa a preservação da estabilidade democrática.
Ao falar de Flávio Bolsonaro, o economista associou o candidato a antigas denúncias de corrupção, supostas ligações com milícias e uma política de submissão a interesses estrangeiros. Ele também o chamou de "um Milei brasileiro", em referência ao alinhamento com governos de outros países.
A principal preocupação apresentada foi a política externa diante da atuação dos Estados Unidos no hemisfério ocidental durante o governo de Donald Trump. Nogueira Batista Jr. alertou que o Brasil não deveria eleger um candidato disposto, em sua avaliação, a colocar o país em posição de dependência.
O economista citou uma correspondência entre Flávio Bolsonaro e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo seu relato, Rubio teria agradecido por uma proposta de criação de um grupo de transição integrado com o governo dos Estados Unidos caso o candidato da oposição vencesse a eleição.
Nogueira Batista Jr. classificou a oferta como a mais "descaradamente entreguista" que já havia observado na diplomacia brasileira. A proposta, segundo ele, abriria espaço para a participação de um governo estrangeiro no período de transição presidencial do Brasil.
"Em toda a minha longa vida observando as relações internacionais do Brasil, eu nunca vi algo tão descaradamente entreguista quanto essa promessa […] O que Flávio Bolsonaro ofereceu ao governo americano é uma equipe de transição com governo estrangeiro. Isso é gravíssimo", enfatizou.
Ao final, o economista pediu mobilização dos estudantes e dos demais eleitores na reta final da campanha. Ele defendeu que os cidadãos conversem com indecisos e busquem votos para Lula, apresentado como a opção de estabilidade, desenvolvimento soberano e defesa da democracia.





