O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (11) que a próxima semana será decisiva para sua tentativa de reeleição. Ele destacou a votação no Senado da proposta sobre o fim da escala de trabalho 6×1, prevista para quarta-feira (14).
Durante uma manifestação de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula também defendeu a PEC da Segurança Pública, criticou o plano de cortes de Flávio Bolsonaro e questionou decisões recentes da Justiça Eleitoral.
"A primeira é que nós vamos definir a nossa vitória nessa próxima semana", declarou Lula.
O presidente relacionou o calendário de votações no Congresso às perspectivas de sua candidatura no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
"A segunda é que vai votar na quarta-feira o fim da escala 6×1, que é uma coisa extremamente importante para se provar como é que o partido do meu adversário vai votar. Se ele vai querer manter os trabalhadores trabalhando seis dias, descansando um, ou ele vai votar para que os trabalhadores tenham dois dias de descanso", disse.
Lula reagiu à possibilidade de integrantes da oposição tentarem convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, a adiar a votação para depois do segundo turno.
Questionado sobre uma possível conversa com Alcolumbre para manter a análise da proposta, o presidente disse que o calendário já havia sido acertado.
"Já está conversado com o Alcolumbre, já está marcada a data da votação, portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é demonstrar que eles vão ter coragem de votar contra ou a favor", afirmou.
Lula disse que o eleitor precisa conhecer antes da eleição a posição do PL sobre a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores.
"O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade. O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais", declarou.
A proposta discutida no Senado prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas por semana e sem diminuição dos salários. O texto estabelece uma etapa intermediária de 42 horas.
Para ser aprovada, a emenda constitucional precisa passar por dois turnos no Senado e receber o apoio de pelo menos 49 dos 81 parlamentares. A base do governo trabalha para acelerar a análise.
Outro tema destacado pelo presidente foi a PEC da Segurança Pública, tratada como prioridade pelo governo federal. A proposta deve ser analisada na Comissão de Constituição e Justiça na quarta-feira, às 9h.
A iniciativa pretende ampliar a coordenação da União na segurança pública e criar mecanismos de atuação conjunta com estados e municípios.
Segundo Lula, a mudança constitucional poderá fortalecer o combate ao crime organizado e ampliar a proteção oferecida às comunidades.
"Para o povo trabalhador, para a comunidade, para o território, proteção. Para os bandidos, prisão", afirmou.
O presidente também defendeu uma definição mais clara das responsabilidades de cada esfera administrativa no enfrentamento à criminalidade.
"Então nós vamos definir o nosso papel, o papel do Estado, o papel do município, da segurança pública, para não permitir que o crime organizado tome conta do território", declarou.
Lula relacionou a aprovação da proposta à criação de um Ministério da Segurança Pública. A nova pasta, porém, ainda dependeria das medidas institucionais e legislativas necessárias.
Lula voltou a questionar o ajuste fiscal defendido por Flávio Bolsonaro. Na avaliação do presidente, os cortes podem atingir direitos sociais e benefícios destinados à população de menor renda.
Ele usou a expressão "tesouraço" para definir o programa econômico do adversário e comparou seus possíveis efeitos às políticas de austeridade adotadas pelo presidente argentino, Javier Milei.
"E a outra coisa importante que nós vamos poder provar é o seguinte: eu vou continuar questionando o meu adversário qual é o tesouraço que ele vai fazer, porque o tesouraço deles possivelmente seja o mesmo tesouraço do Milei na Argentina", afirmou.
Para Lula, medidas desse tipo poderiam comprometer a renda de aposentados, trabalhadores e famílias mais pobres.
O presidente afirmou que pretende manter a economia no centro da campanha e cobrar explicações sobre quais despesas seriam reduzidas pela oposição.
Lula também criticou a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que determinou a suspensão do canal "Exército do Lula", usado por apoiadores da candidatura.
O presidente considerou a medida inadequada e informou que seus advogados devem procurar esclarecimentos na Justiça Eleitoral.
"Eu acho um absurdo, acho um absurdo", declarou.
Lula afirmou perceber um tratamento desfavorável à sua candidatura em decisões recentes tomadas durante a campanha.
"Já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", afirmou.
A suspensão do canal foi determinada no contexto da fiscalização de conteúdos divulgados durante o período eleitoral.
Ao comentar o desempenho das candidaturas nas plataformas digitais, Lula disse acreditar que sua campanha está à frente na mobilização de apoiadores.
"Eu vejo que nas redes sociais nós estamos ganhando o jogo. Eu sei que o nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, está apostando muita coisa", disse.
O presidente afirmou ainda que o PT pretende recorrer à Justiça contra medidas consideradas prejudiciais à campanha.
"Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição", afirmou.
A manifestação na Avenida Paulista faz parte da mobilização de Lula para o segundo turno. A campanha busca concentrar o debate em direitos trabalhistas, segurança pública e proteção da renda da população.





