Lula alerta para corte de R$ 250 bilhões
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Lula alerta para corte de R$ 250 bilhões

No Rio Grande do Norte, presidente questiona plano discutido pela equipe de Flávio Bolsonaro e adverte sobre possíveis impactos em benefícios, saúde e educação.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou, durante discurso no Rio Grande do Norte, para os riscos sociais de um eventual ajuste fiscal promovido pelo senador Flávio Bolsonaro, seu adversário na disputa presidencial.

Lula questionou a proposta de corte de até R$ 250 bilhões em despesas públicas discutida pela equipe econômica do candidato. O presidente cobrou explicações sobre quais áreas seriam atingidas.

"Quando o meu adversário diz que vai cortar R$ 250 bilhões, é preciso que a sociedade comece a se perguntar de onde é que vai ser esse corte. Porque eu não conheço ninguém da elite brasileira que governou este país que teve coragem de cortar dos ricos, dos banqueiros, dos empresários, do sistema financeiro e dos fazendeiros. Eles sempre cortam dos pobres", afirmou Lula.

Estudos ligados à equipe de Flávio Bolsonaro avaliam mudanças nas regras de reajuste de benefícios previdenciários e assistenciais, além dos pisos constitucionais de investimentos em saúde e educação. As alterações poderiam viabilizar um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões.

A campanha do senador afirma que as medidas divulgadas não representam propostas oficiais de seu programa de governo.

Ao criticar a possibilidade de cortes, Lula relembrou medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro. Segundo o presidente, a população de baixa renda foi prejudicada pela redução de investimentos e pela ausência de aumentos reais do salário mínimo.

"Quando eu voltei, tinha corte no Farmácia Popular, tinha corte no Minha Casa, Minha Vida, tinha corte nas creches, nos médicos e no salário mínimo, que há sete anos não subia acima da inflação. Tinha corte para os aposentados também, que não recebiam aumento acima da inflação", declarou.

Lula destacou ações de seu governo para ampliar o acesso a medicamentos e recuperar o poder de compra dos trabalhadores. Ele afirmou que o Farmácia Popular foi ampliado para garantir remédios gratuitos à população.

"Se ele tiver uma receita médica, vai comprar os remédios de uso contínuo sem precisar pagar", disse, ao defender também a ampliação da oferta de exames laboratoriais em farmácias.

O presidente relacionou o debate fiscal ao modelo de desenvolvimento do país. Para Lula, a disputa eleitoral envolve decisões sobre saúde, educação, emprego e oportunidades para os jovens.

"Que tipo de democracia a gente deseja para o país? Que tipo de cultura, que tipo de saúde a gente deseja? Que tipo de emprego a gente deseja para os nossos jovens? É um momento de muita incerteza no mundo", afirmou.

Lula também citou os efeitos econômicos dos conflitos internacionais sobre os preços dos combustíveis. Segundo ele, o governo adotou medidas para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo sobre os consumidores brasileiros.

"Estamos subsidiando para que o preço da guerra não chegue ao povo brasileiro. Não chegue ao feijão do povo, não chegue ao pão do povo, não chegue ao leite do povo", declarou.

Durante o discurso, o presidente defendeu a continuidade dos investimentos federais no Nordeste e afirmou que a região precisa ter as mesmas oportunidades de desenvolvimento oferecidas a outras partes do país.

Lula mencionou obras de infraestrutura hídrica, a Transnordestina, a expansão de universidades e institutos federais e investimentos em tecnologia. Ele também citou a implantação de um supercomputador no Rio Grande do Norte.

"A única coisa que eu quero é que o Nordeste tenha a mesma oportunidade que os outros estados. Ninguém quer tirar nada de ninguém. O que nós queremos é que o jovem brasileiro tenha o direito de estudar igual a qualquer outro jovem", afirmou.

O presidente ressaltou a importância do Pé-de-Meia, programa criado para incentivar estudantes do ensino médio público a permanecerem na escola e concluírem essa etapa da educação básica.

"O Pé-de-Meia foi uma revolução que nós tivemos para garantir que 500 mil jovens não desistissem do ensino médio para ajudar no orçamento familiar", disse.

Lula também destacou os resultados educacionais do Ceará e do Piauí e defendeu a ampliação das oportunidades para estudantes nordestinos. Segundo ele, a elite brasileira historicamente não priorizou a expansão do ensino superior.

O presidente manifestou apoio à candidatura de Cadu de Lula ao governo do Rio Grande do Norte, elogiando sua atuação como secretário estadual da Fazenda e comparando sua trajetória à de Rafael Fonteles, governador do Piauí.

Ao concluir, Lula afirmou que os eleitores precisam conhecer os efeitos das propostas econômicas sobre a vida cotidiana. Para o presidente, a disputa envolve a definição das prioridades do Estado em áreas como saúde, educação, renda e proteção social.

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