O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (15) que a ofensiva da extrema-direita contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não está ligada apenas às suspeitas envolvendo o Banco Master. Para Lula, o movimento também ocorre porque Moraes determinou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador Flávio Bolsonaro, adversário do petista no segundo turno da eleição presidencial.
Em entrevista à TV Globo, Lula defendeu uma reforma do Judiciário, com a revisão dos critérios para a escolha dos ministros do STF e a discussão sobre a criação de mandatos para os integrantes da Corte. Ele também cobrou a investigação completa das suspeitas relacionadas ao Banco Master, independentemente de quem esteja envolvido.
"A extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas. Eles querem cassar o Alexandre de Moraes não por conta do Banco Master apenas. Eles querem cassar porque ele prendeu o pai do Flávio Bolsonaro", disse Lula. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado após sua derrota eleitoral em 2022.
Ao comentar o caso Banco Master, o presidente mencionou diferentes ministros do Supremo e afirmou que todas as suspeitas precisam ser esclarecidas. Lula citou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques, sem detalhar as circunstâncias relacionadas a cada magistrado.
"(Moraes) era o mais implicado. O (Dias) Toffoli também está. O André Mendonça está também. O Kassio (Nunes Marques). Agora está todo mundo implicado. O dado concreto é que não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e que não fique pedra sobre pedra. Que se puna quem precisar punir", afirmou.
A declaração foi dada em meio às repercussões do caso Banco Master e ao debate sobre a situação do STF. Lula defendeu que a investigação alcance todos os envolvidos e resulte em punições quando forem identificadas responsabilidades.
O presidente também afirmou que a crise abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre o funcionamento do Supremo e os requisitos usados na indicação de seus integrantes.
Entre os pontos levantados estão a possibilidade de estabelecer mandatos para os ministros e a necessidade de avaliar eventuais conflitos de interesses entre a atuação na Corte e as atividades de escritórios de advocacia.
"Nós temos que discutir se uma pessoa que quer ser ministro da Suprema Corte pode ser um cara com escritório que advogue na Suprema Corte. Essa confusão toda trouxe um debate que vai ser irreversível no próximo ano", declarou.
Lula não apresentou, no trecho divulgado da entrevista, uma proposta legislativa específica para mudar a composição do tribunal ou determinar a duração de eventuais mandatos.
Questionado sobre os possíveis reflexos da crise do Supremo em seu desempenho eleitoral no primeiro turno, o presidente afirmou que "não tem avaliação" sobre o impacto do episódio no resultado das urnas.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira apontou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto totais, enquanto Lula registrou 45%. No levantamento anterior, realizado na semana passada, o senador tinha dois pontos percentuais a mais, enquanto o presidente aparecia com o mesmo índice.
Os números mostram uma oscilação negativa do candidato do PL entre as duas pesquisas, sem alteração no percentual registrado por Lula.





