O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confrontou o senador Flávio Bolsonaro durante uma sabatina promovida pela Globo na noite de quinta-feira (15). O embate ocorreu quando Lula comentou os ataques da extrema direita ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo o presidente, as investidas contra Moraes não estão ligadas apenas ao escândalo do Banco Master. Lula afirmou que a atuação do ministro nos processos envolvendo Jair Bolsonaro também está por trás da ofensiva.
"A extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas. Por que eles querem cassar o ministro Alexandre de Moraes? E não é por conta do Banco Master apenas. Eles querem cassar o Alexandre de Moraes porque ele prendeu o pai do Flávio Bolsonaro. Essa é a questão que está em jogo", afirmou o presidente.

Na sequência, Lula voltou a atingir politicamente a família Bolsonaro ao mencionar uma prisão realizada pela Polícia Federal naquela quinta-feira. O presidente citou Márcio Canella, aliado do grupo político do ex-presidente.
"Hoje a Polícia Federal prendeu mais uma pessoa do clã da família Bolsonaro. O Canella, que foi preso, e a mãe do Flávio seria suplente dele no Senado", declarou.
A fala marcou outro momento de confronto durante a sabatina. Lula associou as críticas da oposição ao STF à atuação de Alexandre de Moraes em processos relacionados a Jair Bolsonaro.
Márcio Canella, filiado ao União Brasil, é ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Nas eleições de outubro, ele foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro com 197.178 votos, a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do estado.
Canella foi preso durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro.
De acordo com as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A operação foi autorizada por Alexandre de Moraes.
Aliado de Flávio Bolsonaro, Canella chegou a ser anunciado como pré-candidato ao Senado. Rogéria Bolsonaro, mãe do senador e ex-mulher de Jair Bolsonaro, era apontada como possível suplente, mas a composição não avançou.
Após uma primeira prisão, em julho, Canella desistiu da disputa pelo Senado e concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, para a qual acabou eleito.





