O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu milhares de apoiadores em Ceilândia, no Distrito Federal, na sexta-feira (9). No primeiro ato de rua de sua campanha no segundo turno, ele defendeu o fim da escala 6×1 e pediu votos para Leandro Grass, candidato do PT ao governo distrital.
A concentração ocorreu perto da Feira de Ceilândia. Lula e Grass fizeram o trajeto em uma caminhonete, acompanhados pela primeira-dama Janja e por Dora Gomes, do PV, candidata a vice-governadora. Dois trios elétricos seguiram o veículo, enquanto água era distribuída ao público.
"Essa é a passeata que quer reduzir a jornada de trabalho", declarou Lula.
O presidente defendeu uma jornada com cinco dias de trabalho e dois de descanso, em substituição à escala de seis dias de trabalho com apenas uma folga. A proposta está em discussão no Congresso Nacional.
Durante o discurso, Lula também criticou os envolvidos nas operações entre o Banco de Brasília e o Banco Master.
"Esse país não será governado pelo sócio do Banco Master, pelos parentes do Vorcaro. Esse país não será governado por aqueles que roubaram R$ 12 bilhões do BRB", declarou.
As operações investigadas envolvem a compra, pelo BRB, de créditos apontados como falsificados e provenientes do Banco Master, então controlado por Daniel Vorcaro.
Ao abordar o caso, Lula pediu votos para Grass, que disputa o segundo turno contra a governadora Celina Leão, do PP. Celina afirma que não participou da operação.
A menção a Vorcaro ocorre em meio a questionamentos sobre contatos dele com Flávio Bolsonaro, do PL, adversário de Lula, para o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador afirma que os recursos eram privados.
Durante a mobilização, Chico Vigilante relacionou a escolha de Ceilândia à formação de sua população e à presença de Lula na região desde o período em que o presidente atuava como sindicalista.
"Ceilândia é o principal colégio eleitoral de Brasília, é uma cidade formada por gente vinda de todo o Brasil, especialmente do Nordeste, e o Lula escolheu fazer a abertura da campanha dele aqui na cidade de Ceilândia, porque Ceilândia é uma mistura de Brasil", declarou.
Chico Vigilante também lembrou que a relação de Lula com a cidade começou antes dos mandatos presidenciais.
"O Lula frequenta a Ceilândia desde o tempo em que ele era sindicalista. Portanto, é muito importante esse momento aqui que a Ceilândia está vivendo", ressaltou.
A deputada Erika Kokay também participou do ato e defendeu a eleição de Lula e Leandro Grass.
"O povo brasileiro vai de Lula, vai de Lula. E aqui em Brasília nós vamos de Leandro, porque a gente merece", declarou.
Durante a caminhada, Grass afirmou que a campanha deve discutir alimentação, emprego e acesso aos serviços públicos. Segundo o candidato, a escolha dos próximos governantes precisa considerar as mudanças concretas na vida da população.
"Não é mais sobre a esquerda ou a direita, não é mais sobre o PT ou o PL. É sobre o futuro, é sobre a nossa cidade, é sobre termos comida na mesa ou não, termos trabalho, termos vacina, termos saúde, educação", declarou.
Policarpo, do PT, convocou os apoiadores a participar da campanha e demonstrou confiança na vitória no Distrito Federal.
"Nós vamos virar esse jogo. Leandro Grass vai ser o próximo governador do Distrito Federal. É a hora da virada. Bora Lula! Bora Leandro!", declarou.
Entre as manifestações de apoio, sargentos dos Quadros Especiais das Forças Armadas levaram uma faixa com a mensagem: "Presidente Lula, os sargentos dos Quadros Especiais das Forças Armadas apoiam a sua reeleição".
Diante das bandeiras brasileiras presentes na caminhada, Lula criticou setores da direita que utilizam a bandeira dos Estados Unidos em manifestações políticas.
"De um lado os que erguem a bandeira do Brasil; do outro lado, os que levantam a bandeira americana", discursou.
"A riqueza é do Brasil, e aqui ninguém tasca", acrescentou. O presidente também criticou a condução da pandemia pelo governo anterior e afirmou que o país não voltará a ser governado pelo fascismo.
A busca por votos entre eleitores que ainda não apoiam as candidaturas também foi abordada. Grass pediu disposição aos apoiadores para dialogar com pessoas que possuem posições políticas diferentes.
"Abraçar as pessoas, acolher as pessoas, conversar com quem é diferente, mostrar que nós não estamos apenas do lado de quem pensa igual a nós. Estamos do lado de todo o Brasil, estamos do lado de toda a população", ressaltou.
Fabiano Trompetista fez um chamado semelhante. Com o instrumento nas mãos e um boné vermelho com o nome de Lula, ele defendeu o contato direto com a população durante a busca por votos.
"Nós amamos o povo. Nós defendemos o povo. E o nosso líder vai ter o tetra do povo", declarou, em referência à tentativa de Lula de conquistar um quarto mandato presidencial.
O segundo turno será realizado em 25 de outubro, quando os eleitores do Distrito Federal escolherão o presidente e o governador. Após a caminhada em Ceilândia, Lula seguiu com a campanha de rua e participou de um ato em Natal, no Rio Grande do Norte, no sábado (10).





