O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, descumpriu um compromisso de imparcialidade na eleição presidencial.
Lula tem manifestado essa avaliação a aliados após decisões do ministro que afetaram sua campanha. Nunes Marques havia assegurado ao presidente que conduziria a corte eleitoral sem beneficiar ou prejudicar qualquer candidato.
A insatisfação também apareceu em entrevista. Lula afirmou que o responsável pelo comando do TSE "não pode ter lado" e questionou a decisão que retirou do ar o canal "Exército de Lula".
Na crítica, Lula disse que a medida foi adotada sem a identificação de ilegalidades e contrariou uma decisão do corregedor do tribunal.
Outro ponto de desgaste foi a suspensão de votações no plenário virtual nas quais a campanha de Lula já havia alcançado votos suficientes para vencer.
O incômodo com a atuação de Nunes Marques também teria chegado a integrantes do TSE e do Supremo Tribunal Federal. Alguns colegas passaram a enxergar favorecimento ao candidato Flávio Bolsonaro após ele terminar o primeiro turno com vantagem inferior a dois pontos percentuais sobre Lula.
A tensão surgiu depois de um período de aproximação. Nunes Marques buscou estreitar a relação com Lula desde o começo do atual governo e apoiou nomes para vagas no Superior Tribunal de Justiça e no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
A interlocução incluiu encontros reservados. Lula e Nunes Marques chegaram a se reunir a sós, em uma conversa acompanhada de uísque, durante o período de maior proximidade.





