Campanha de Flávio teme debate e busca empate com Lula
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Campanha de Flávio teme debate e busca empate com Lula

Equipe do candidato do PL adota estratégia defensiva e prepara provocações para o primeiro confronto direto com o presidente na televisão.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) definiu três metas para o primeiro confronto direto e ao vivo com o presidente Lula (PT) no segundo turno. O debate está previsto para a noite de domingo (18), na TV Band.

O encontro será o primeiro embate na televisão entre os dois candidatos nesta campanha. Eles aparecem tecnicamente empatados na liderança das pesquisas de intenção de voto. No levantamento mais recente, Flávio registra 46% da preferência do eleitorado, enquanto Lula tem 44%.

Flávio confirmou a participação após recuar da decisão anterior e aceitar o confronto depois que Lula anunciou presença. A escolha provoca apreensão entre aliados do senador, que reconhecem a maior experiência, desenvoltura e preparação do presidente para debates ao vivo. Em 2016, quando disputava a Prefeitura do Rio de Janeiro, Flávio deixou um debate da mesma emissora durante o intervalo após passar mal e acabou derrotado na eleição.

A primeira meta da campanha é obter ao menos um resultado neutro, definido internamente como um "zero a zero". Como Flávio aparece com uma pequena vantagem numérica, a equipe considera que um empate no desempenho seria suficiente para preservar sua posição. "Se mantiver tudo do jeito que está, Flávio ainda assim sai na vantagem. Ele só precisa sair no zero a zero", declarou um interlocutor do senador.

A segunda meta é evitar que Flávio caia em provocações de Lula. O presidente aposta no debate para avançar na reta final, após a mobilização de milhares de apoiadores nas ruas. Levantamentos internos da campanha do PT indicam que a diferença teria caído de três para um ponto percentual. Medições do próprio PL também apontam redução, mas de 0,7 ponto.

A terceira meta é tentar tirar Lula da calma diante das câmeras. Para isso, os estrategistas de Flávio planejam apresentar acusações relacionadas aos desvios em aposentadorias do INSS e mencionar investigações envolvendo Fábio Luís da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e Jaques Wagner (PT).

Aliados do senador também avaliam repetir um recurso usado por Jair Bolsonaro nos debates de 2022: fazer anotações na própria mão, formando uma espécie de "cola" visível para as câmeras. A intenção seria despertar a curiosidade do público e provocar apreensão no adversário sobre o conteúdo escrito.

Outro foco da campanha será tentar associar Lula às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente às atuações dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A estratégia pretende explorar o desgaste enfrentado pelo tribunal após a divulgação de mensagens do empresário Daniel Vorcaro.

Na defesa, Flávio prepara respostas sobre os valores que pediu e recebeu de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. O candidato deverá sustentar que a transação financeira não envolveu irregularidades.

Flávio também pretende contestar os alertas de Lula de que uma vitória do bolsonarismo poderia resultar em cortes de benefícios sociais e retirada de direitos. O senador planeja classificar essas declarações como "notícias falsas" e ainda abordar disputas relacionadas ao tema de Nossa Senhora.

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