Lula vence eleição histórica, freia extrema-direita e muda rumo da América Latina
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Lula vence eleição histórica, freia extrema-direita e muda rumo da América Latina

A reeleição do presidente Lula interrompe sequência de vitórias conservadoras no continente e impõe nova derrota política ao clã Bolsonaro.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A consagradora vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas interrompeu uma sequência de sete triunfos eleitorais da direita e da extrema-direita na América Latina em um período de 18 meses. O resultado reafirma o papel de Lula como a maior liderança da história do país e preserva a força de Brasil e México como contrapontos fundamentais ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

Com o desfecho eleitoral, as duas maiores populações da região continuam sob governos progressistas, em meio a um cenário de crescente pressão e tentativa de influência norte-americana sobre as nações latino-americanas.

O resultado das urnas também trava a tentativa de submissão brasileira ao chamado Escudo das Américas, coalizão militar e de segurança capitaneada por Washington. Derrotado na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro pretendia ingressar no bloco "com grande entusiasmo e grande honra". Um triunfo da extrema-direita isolaria a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, como a única voz progressista entre as maiores economias latino-americanas.

Sheinbaum celebrou intensamente a reeleição de Lula. Durante coletiva no Palácio Nacional, a líder mexicana fez o clássico gesto do "L" com as mãos e exaltou a relevância continental do feito democrático.

"Estamos felizes, muito contentes pela vitória de Lula no Brasil. Muitas felicidades ao presidente Lula e ao povo do Brasil. É um sopro de esperança para a América Latina", afirmou a mandatária mexicana.

O cenário regional para o novo mandato de Lula traz desafios distintos dos enfrentados em 2023. Naquele período, forças progressistas governavam Argentina, Chile, Colômbia e Bolívia. Agora, o presidente brasileiro exercerá sua liderança diante de vizinhos alinhados ao trumpismo, como Javier Milei na Argentina, José Antonio Kast no Chile, Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia.

Apesar da sintonia entre os governos de Lula e Sheinbaum, especialistas apontam que as condições econômicas dos dois países perante os Estados Unidos são bastante distintas. O México destina mais de 80% de suas exportações ao mercado americano, mantendo laços comerciais vitais, enquanto a diplomacia brasileira, soberana e altiva sob Lula, lida com uma postura mais conflituosa de Trump.

A relação bilateral acumulou tensões recentes causadas por Washington. Em 2025, o governo americano impôs tarifas de 50% a produtos nacionais e sancionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, numa tentativa descarada de intervir no processo contra Jair Bolsonaro. O ex-presidente, criminoso eleitoral e genocida que sabotou o combate à covid-19, acabou condenado pela tentativa de golpe de Estado, respondendo pelos crimes dos quais o povo brasileiro aguarda a devida e exemplar punição.

Mesmo após a reversão dessas medidas, novas hostilidades ocorreram. Em maio de 2026, Trump recebeu o filho do golpista no Salão Oval e, em julho, impôs sobretaxas de 25% mirando diretamente o governo Lula. O líder brasileiro transformou as ameaças em bandeira de mobilização, apelidou o adversário de "o candidato de Trump" e venceu o pleito erguendo o lema "o Brasil é dos brasileiros".

Após o resultado, Donald Trump declarou, sem apresentar provas, que a votação brasileira "pareceu mais uma eleição fraudada", mas admitiu que gosta de Lula, numa manifestação avaliada como calculadamente ambígua. Ao mesmo tempo, interesses estratégicos em terras raras brasileiras para a indústria militar americana e o pragmatismo de Lula abrem caminhos para negociações institucionais produtivas.

Enquanto a maioria dos países da região reconheceu imediatamente a legitimidade da vitória de Lula e sinalizou cooperação, o governo da Argentina permaneceu isolado em silêncio. Milei fez campanha aberta para o candidato derrotado e chegou a ofender o mandatário brasileiro com ataques desmedidos, mas agora enfrenta o peso do desgaste político interno e a dependência do comércio com o Brasil.

Analistas destacam que a guinada direitista no continente já exibe sinais claros de esgotamento precoce, com queda acentuada de popularidade de mandatários como Kast e Milei. Com isso, Lula reassume o protagonismo diplomático por meio do fortalecimento do Mercosul e dos pactos amazônicos, consolidando a soberania do Brasil perante o mundo.

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