O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reiterou que pretende colocar em votação na próxima semana a proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 horas. No entanto, a atuação da oposição aumenta o risco de adiamento.
Fortalecida pelos resultados das urnas no Congresso Nacional e na disputa presidencial, a oposição articula nos bastidores para postergar a votação. A base aliada e a campanha pela reeleição do presidente Lula (PT), por sua vez, trabalham para assegurar a análise da matéria.
Como as eleições parlamentares já foram realizadas, o grupo contrário à proposta pode tentar aprovar emendas que façam o texto voltar à Câmara dos Deputados. O movimento impediria a conclusão da votação antes do fim do primeiro turno. Partidos do centrão que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) também demonstram menor interesse em aprovar uma medida que possa beneficiar Lula.
A campanha bolsonarista mantém o apoio à Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro. O texto alternativo prevê uma jornada flexível e permite o pagamento por hora.
A estratégia é considerada politicamente arriscada diante do amplo apoio popular ao fim da escala 6×1. Mesmo assim, o grupo de Flávio Bolsonaro mantém a oposição ao texto aprovado pela Câmara e alega que a votação ocorreu de forma apressada e com objetivos eleitorais.
Lula intensificou a cobrança sobre o adversário nas redes sociais. "Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel? Quem vive de salário sabe que isso não é escolha", afirmou o presidente.





