Há preocupação no Palácio do Planalto e no Itamaraty com a possibilidade de um eventual governo de Flávio Bolsonaro retomar o alinhamento automático com os Estados Unidos e a perseguição a diplomatas considerados "globalistas", como ocorreu durante o governo anterior.
Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, o temor aumentou depois de Eduardo Bolsonaro publicar uma ameaça contra Vanessa Dolce de Faria, alta representante para Temas de Gênero do Ministério das Relações Exteriores. A diplomata havia manifestado apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à soberania brasileira. A fonte classificou o episódio como "gravíssimo".
Eduardo Bolsonaro tem mandado de prisão em aberto e aparece no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões como pessoa com pena "pendente de cumprimento". Ele foi condenado por coação no curso do processo em uma ação relacionada ao aumento de tarifas imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às exportações brasileiras.
Na avaliação da fonte, se Flávio Bolsonaro derrotar Lula no segundo turno, Eduardo poderá se considerar "dono" da agenda externa e atuar como uma espécie de "chanceler-sombra", interferindo no trabalho de quem comandar o Itamaraty. Caso seja escolhido pelo irmão para o cargo, sua indicação seria uma "tragédia", segundo a mesma fonte.






