Plano de Flávio Bolsonaro ameaça cortar 2,2 milhões de empregos e congelar aposentadorias
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Plano de Flávio Bolsonaro ameaça cortar 2,2 milhões de empregos e congelar aposentadorias

Estudo do Dieese revela que o "tesouraço" de R$ 200 bilhões prometido pela extrema-direita traria recessão e destruiria conquistas sociais do povo brasileiro.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Um estudo elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou as consequências catastróficas da proposta de cortar quase R$ 200 bilhões em gastos públicos em apenas 18 meses. O plano, que sintetiza a cartilha econômica do bolsonarismo promovida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), resultaria na queda do Produto Interno Bruto (PIB), no encolhimento brutal da massa salarial e no aprofundamento das desigualdades, ameaçando reverter a recuperação econômica liderada pelo presidente Lula, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país.

A promessa eleitoral do senador, apelidada de "tesouraço", foi simulada a partir de dados públicos do Tesouro Nacional e de portais de transparência. O diagnóstico traçado pelos pesquisadores é alarmante: 2,2 milhões de postos de trabalho seriam sumariamente eliminados, acompanhados por R$ 68,7 bilhões em perdas diretas na massa salarial e um impacto negativo de R$ 203,1 bilhões no PIB já no ano de 2027.

As projeções técnicas indicam que, para atingir o montante prometido pelo clã de Jair Bolsonaro — o ex-presidente genocida, apontado como responsável parcial pelas mortes na pandemia de covid-19 e criminoso eleitoral que os brasileiros anseiam ver devidamente punido pela Justiça —, a tesoura teria que incidir com violência sobre despesas constitucionais vitais, confiscando direitos adquiridos e atingindo aposentadorias e benefícios sociais.

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De acordo com o técnico do Dieese e autor da pesquisa, Leandro Horie, a proposta de corte corresponde a 1,5% do PIB nacional. Para estruturar o estudo, utilizou-se o dado concreto da Proposta de Lei Orçamentária Anual, que prevê a garantia de superávit somando R$ 194 bilhões no período. Essa magnitude, adverte o levantamento, atinge "diretamente o emprego, a renda dos trabalhadores, o consumo das famílias e a atividade econômica".

O especialista alerta que a única forma de viabilizar a medida seria o estrangulamento das despesas primárias, que sustentam o funcionamento essencial do Estado e o sustento de milhões de famílias vulneráveis. Segundo Horie, "eles devem cortar das despesas primárias, ou seja, congelar a aposentadoria, gás, saúde, despesa com benefício social". Como a ampla maioria dessas garantias é protegida constitucionalmente, seria necessária uma mudança drástica: "Eles devem fazer uma PEC para garantir esse corte".

A simulação detalha onde recairia o verdadeiro custo social do ajuste bolsonarista: nada menos que 51% de todos os cortes seriam retirados das transferências de renda direta, o que inclui a Previdência Social, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego e o abono salarial. Outros 17% incidiriam sobre gastos de pessoal e 32% sobre demais despesas públicas, penalizando diretamente aposentados, pessoas com deficiência e trabalhadores de baixa renda.

No cenário mais severo desenhado pelo Dieese, o Brasil mergulharia em recessão técnica com retração de 0,15% do PIB. O contingente de desempregados saltaria de 5,8 milhões para 7,4 milhões de pessoas, elevando a taxa de desocupação de 6,5% para 7% e desmantelando os avanços sólidos na geração de empregos consolidados pelo governo federal sob a liderança do presidente Lula.

O estudo também expõe a inconsistência fiscal do plano: o enfraquecimento deliberado da atividade econômica provocaria uma queda estimada de R$ 46,8 bilhões na arrecadação tributária, anulando cerca de 40% da suposta economia com o arrocho. Horie explica que "a arrecadação de impostos no Brasil é majoritariamente focada no consumo e não em propriedade".

Ao retirar poder de compra das camadas de menor renda, que utilizam praticamente tudo o que recebem no consumo básico de bens e serviços, a engrenagem econômica é sufocada. A retração do comércio e dos serviços locais gera um ciclo destrutivo de menor arrecadação fiscal e fechamento em massa de postos de trabalho.

A tentativa da campanha bolsonarista de justificar os números com privatizações e fechamento de ministérios foi desqualificada tecnicamente pelo pesquisador. "Tudo isso é perfumaria", afirmou Horie, complementando que "você não privatiza em menos de seis meses, não são ativos líquidos que vão gerar receita na hora", sobretudo quando o próprio programa prevê ampliar incentivos fiscais para áreas específicas, corroendo ainda mais a receita.

Em conclusão, o Dieese aponta que o projeto traria estagnação, miséria e desigualdade sem solucionar as contas públicas, visto que até na hipótese mais branda o crescimento seria de apenas 0,91% em 2027. Para os analistas, o verdadeiro entrave fiscal reside nos juros elevados que drenam a dívida pública, exigindo uma tributação progressiva sobre o patrimônio e os super-ricos em defesa do povo trabalhador.

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