A promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de usar o crescimento da bancada de extrema direita no Congresso Nacional para alterar a Constituição e "redemocratizar" o Brasil acendeu um alerta sobre o risco de avanço autoritário. Segundo o jornal britânico The Guardian, o país já foi redemocratizado nos anos 1980, depois de uma "brutal ditadura de 21 anos que o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, há muito elogia".
Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar articular um golpe de Estado depois de perder as eleições de 2022 para o presidente Lula (PT). Flávio, por sua vez, venceu Lula no primeiro turno da eleição presidencial de domingo (4) e disputará o segundo turno em 25 de outubro. Na terça-feira (6), ele afirmou que pretende aproveitar a expansão da extrema direita no Congresso para mudar a Constituição.
Durante um evento de campanha em Goiânia, Flávio declarou: "a única coisa entre o Brasil e a barbárie se chama Flávio Bolsonaro presidente". A fala causou indignação entre historiadores e adversários do bolsonarismo, que apontaram o uso da linguagem democrática para encobrir possíveis mudanças autoritárias.
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) reagiu em uma publicação na rede social X: "Isso é o anúncio de um golpe". O deputado recém-eleito Marcelo Freixo (PT-RJ) também afirmou: "O Brasil foi redemocratizado em 1988. Quem tentou desfazer isso foi o pai dele, que foi condenado por tentativa de golpe. O que eles querem, mais uma vez, é um golpe".
Flávio Bolsonaro não explicou quais mudanças pretende realizar para "redemocratizar" o país. O Brasil ocupa o 28º lugar no índice de democracia liberal do instituto sueco V-Dem, à frente do Reino Unido, em 30º, e dos Estados Unidos, em 51º. O histórico de Jair Bolsonaro, marcado por elogios à ditadura militar e a líderes autoritários como Augusto Pinochet, amplia as preocupações sobre a proposta apresentada pelo filho.





