O vazamento de um trecho da delação de Daniel Vorcaro levantou suspeitas sobre um possível acordo do ex-dono do Banco Master com Flávio Bolsonaro. No relato divulgado, o banqueiro afirma ter financiado o documentário "Lula", dirigido por Oliver Stone.
Segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria preparado uma delação para envolver Lula, integrantes de sua campanha e ministros. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro teria assumido o compromisso de encerrar as investigações do caso Master caso seja eleito.
A denúncia foi apresentada por Renato Rovai na rede X, com base em informações recebidas de pessoas que acompanham o caso. A publicação ocorreu na quinta-feira (8), antes de a revista Veja divulgar o trecho da delação.

"Vorcaro teria feito um acordo com Flávio Bolsonaro e armou uma delação fajuta que vai ser vazada para um veículo de imprensa. Ele vai dizer que financiou o filme sobre Lula, de Oliver Stone. E Flávio se eleito enterraria o escândalo do Master com o apoio da maioria do STF na mão", escreveu Rovai.
Após a divulgação da reportagem, ele reafirmou: "A Veja está vazando isso sem prova alguma porque nunca fez jornalismo. Ali as coisas funcionam de outro jeito".
O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas e da campanha de Lula, disse ter recebido informações semelhantes. Ele anunciou que pedirá à Polícia Federal a abertura de uma investigação para apurar a possível articulação.
Carvalho afirma que Vorcaro não financiou o documentário "Lula", lançado em 2024. Para o advogado, a intenção do relato seria tentar equiparar a produção ao filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, que teria sido financiado pelo ex-dono do Banco Master.
O coordenador também disse ter sido informado de que Vorcaro prestou recentemente um depoimento à Polícia Federal sobre uma suposta doação ao filme de Oliver Stone. De acordo com essa versão, Lula, ministros e integrantes da campanha teriam sido envolvidos indevidamente.
Como possível contrapartida, o banqueiro teria recebido a promessa de deixar a prisão no início de 2027 e passar ao regime domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, seria libertado imediatamente.
Na avaliação de Carvalho, a suposta articulação teria como objetivo causar prejuízos políticos e eleitorais ao presidente Lula e à sua campanha. O Grupo Prerrogativas é alinhado ao governo federal.
O pedido de abertura de inquérito buscará esclarecer se as informações recebidas são verdadeiras, se houve promessa de benefícios e se o depoimento atribuído a Vorcaro foi usado para tentar atingir Lula durante o período eleitoral.





