Temor eleitoral faz direita recuar sobre escala 6×1
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Temor eleitoral faz direita recuar sobre escala 6×1

Senadores desistiram de tentar barrar a PEC após avaliarem que a resistência ao fim da escala poderia prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Senadores de direita decidiram apoiar a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A mudança ocorreu após a avaliação de que uma posição contrária poderia prejudicar eleitoralmente a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A votação pode ocorrer na quinta-feira (15), um dia depois da previsão inicial.

Até a semana anterior, a direita articulava formas de adiar a análise ou impedir que a proposta fosse promulgada antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25.

O cálculo mudou quando integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro concluíram que seria difícil explicar aos eleitores um voto contrário à medida. Havia o receio de que a rejeição fosse apresentada nas redes sociais como uma posição contra os trabalhadores.

"Existe um temor muito grande de que, mesmo explicando as divergências em relação à proposta, mesmo fazendo uma defesa da jornada de trabalho flexível, vai ser muito difícil comunicar isso para o eleitor", apontou a apuração.

A avaliação é que vídeos com declarações contrárias ao fim da escala 6×1 poderiam aumentar o desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro. O risco levou à revisão da estratégia que buscava impedir ganhos políticos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua campanha pela reeleição.

O plano anterior tinha duas frentes. A primeira era prolongar a tramitação por meio de obstrução, deixando a votação para depois do segundo turno. Caso isso não funcionasse, senadores tentariam aprovar uma emenda para obrigar a Câmara dos Deputados a analisar novamente o texto.

Nesse cenário, a proposta retornaria à Câmara e não poderia ser promulgada antes da votação presidencial. Com o recuo, a oposição passou a considerar o apoio à PEC como uma maneira de reduzir seu desgaste eleitoral.

A inclusão da proposta na pauta foi decidida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que assumiu o compromisso de levar o texto ao plenário. Governistas e oposicionistas avaliam que a deliberação deve ocorrer na quinta-feira.

A votação também pode influenciar as articulações internas do Senado. A avaliação divulgada é que pautar o fim da escala 6×1 pode representar "o último tiro" de Alcolumbre para permanecer na presidência da Casa no ano seguinte.

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