A América Latina e o Caribe registraram queda de 95% nas populações monitoradas de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios entre 1970 e 2022. O dado consta no relatório Planeta Vivo 2026, divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) nesta quarta-feira (7/10).

O levantamento acompanhou 4.737 populações de 1.405 espécies. Em todo o planeta, a redução média foi de 73% no mesmo período.
A América Latina apresentou o pior resultado entre as regiões analisadas. Na sequência aparecem África, com queda de 80%; Ásia e Pacífico, com 49%; América do Norte, com 28%; e Europa e Ásia Central, com 23%.
Segundo o relatório, o atual sistema de produção de alimentos e a agricultura são as principais causas da perda de biodiversidade. A transformação de florestas, campos nativos e áreas úmidas em zonas agrícolas permanentes é apontada como o maior fator de degradação dos ecossistemas terrestres.
Além da destruição de habitats, o sistema global de alimentos responde por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa. A América Latina abriga seis dos sete países das Américas considerados megadiversos, com grande riqueza biológica e espécies que não são encontradas em outras regiões.
Os anfíbios são especialmente afetados pelas mudanças climáticas e por doenças. Entre os peixes, as principais ameaças são a degradação dos habitats e a pesca predatória.
Mamíferos e aves sofrem principalmente com a conversão de florestas, campos e áreas úmidas em lavouras e pastagens, além da exploração excessiva. Os répteis são prejudicados pela destruição e fragmentação dos ecossistemas, assim como pela captura e pela caça.
O documento apresenta a Moratória da Soja no Brasil como uma das iniciativas mais bem-sucedidas do mundo nas cadeias de produção. O acordo reduziu de 30% para 2%, em uma década, a conversão direta de florestas para o cultivo de soja.
Criada em 2006, a Moratória da Soja reúne empresas compradoras de grãos, organizações não governamentais e o governo para impedir a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia. O relatório também destaca o Tropical Forest Forever Facility, iniciativa da qual o Brasil é fundador e que busca remunerar anualmente países pela preservação de suas florestas tropicais.





