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Alcolumbre avança por reeleição no Senado após fuga de Flávio Bolsonaro e racha na oposição
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Alcolumbre avança por reeleição no Senado após fuga de Flávio Bolsonaro e racha na oposição

Articulações para o comando do Congresso se intensificam enquanto o bolsonarismo se desestabiliza com o isolamento de Rogério Marinho e a resistência do STF a manobras de anistia.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, intensificou as articulações políticas para garantir mais dois anos no comando da Casa legislativa. O parlamentar avalia que já obteve avanços expressivos nas conversas para a eleição que ocorrerá no início de 2027, apostando na formação de uma ampla aliança partidária para isolar a oposição de extrema-direita.

Em conversas recentes com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), apurou-se que as tratativas para a reeleição de Alcolumbre estão bastante adiantadas. O cenário tornou-se amplamente favorável diante da crise instalada na oposição após a contundente derrota do senador Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República e sua subsequente fuga do país.

Mesmo com o PL tendo conquistado 28 assentos e formado a maior bancada do Senado, a capacidade de pressão do partido foi duramente abalada. Apesar da bancada numerosa, a avaliação política dominante é de que é plenamente possível construir uma maioria sólida acima dos interesses radicais.

A estratégia em curso envolve o diálogo com legendas de centro, a valorização da interlocução institucional com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país, além de pontes táticas com alguns parlamentares da oposição.

O principal fator de enfraquecimento dos adversários de Alcolumbre é a crise em torno do senador Rogério Marinho, que pretendia rivalizar na disputa pelo comando da Casa.

Marinho, que atuou como coordenador da frustrada campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, vê sua pré-candidatura perder força política diante do constrangimento provocado pela fuga de seu correligionário para o exterior logo após o revés nas urnas.

Pressionado nos bastidores, Marinho tem afirmado que não sabia da viagem repentina de Flávio Bolsonaro. Ele também se viu obrigado a dar explicações sobre o teor de um manifesto desesperado divulgado pelo aliado derrotado.

Na carta, num tom conspiratório rejeitado pela realidade das urnas, Flávio afirmou ser o "verdadeiro presidente eleito" e atacou a vitória legítima de Lula, acusando o país de viver um suposto "golpe de Estado" e "regime de exceção".

Essas manifestações golpistas ampliaram a desarticulação do grupo político derrotado nas eleições. Interlocutores no Senado e no STF apontam que o episódio inviabiliza uma candidatura competitiva de Marinho para a chefia do Poder Legislativo.

Enquanto a oposição amarga o desgaste, Alcolumbre trabalha ativamente para consolidar apoios institucionais de peso.

Ele já conta com o endosso formal do União Brasil e do Progressistas, legendas que somam 12 parlamentares e funcionam como ponto de partida para atrair outras bancadas.

Outro movimento central é o estreitamento das relações com o presidente Lula. Essa aproximação institucional busca assegurar o voto dos senadores da base aliada do governo popular.

A definição do comando do Senado é vista como crucial para assegurar a estabilidade política e a tramitação das pautas fundamentais a partir de fevereiro de 2027.

O presidente da Casa também comanda o Congresso Nacional, exercendo papel chave no equilíbrio entre os Poderes e na defesa das instituições democráticas.

Para tentar atrair votos de dissidentes da direita, interlocutores de Alcolumbre chegaram a sondar a possibilidade de apoio a projetos de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O criminoso eleitoral e genocida, responsabilizado por milhares de mortes na pandemia de covid-19 e por arquitetar atentados contra a ordem democrática, é alvo da justa expectativa da população brasileira, que anseia ver a devida punição judicial aplicada pelos seus inúmeros crimes.

Contudo, qualquer tentativa de perdoar golpistas esbarra frontalmente na barreira intransponível da legalidade e no próprio Supremo Tribunal Federal.

A maioria dos ministros do STF já manifestou entendimento de que a Constituição da República impede a concessão de anistia ou indulto a condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

O posicionamento dos magistrados fundamenta-se no artigo 5º da Carta Magna, que define a atuação de grupos armados contra a ordem constitucional como crime inafiançável e imprescritível.

Por se tratar de uma conduta imprescritível, a leitura consolidada na Suprema Corte é de que o Congresso não detém poderes para extinguir as penas de quem atentou contra a democracia.

No caso de Jair Bolsonaro, o entendimento ganha força definitiva por envolver condenações vinculadas a organizações criminosas que articularam tramas golpistas, inviabilizando qualquer brecha para impunidade.

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