Alta de Lula acende alerta no bolsonarismo
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Alta de Lula acende alerta no bolsonarismo

Pesquisas PoderData e BTG/Nexus apontam empate técnico, enquanto Lula avança e a campanha busca ampliar a divulgação das realizações do governo.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A tendência das pesquisas eleitorais divulgadas nesta semana indica uma recuperação da chapa Lula-Alckmin e um recuo do campo bolsonarista. No PoderData, realizado com 3 mil entrevistas por telefone entre 10 e 12 de outubro, o adversário de extrema direita aparece com 51% das intenções de voto, ante 49% de Lula, configurando empate técnico. O presidente avançou quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, enquanto o adversário caiu dois.

O resultado capta apenas parcialmente os possíveis efeitos dos grandes atos de campanha realizados em São Paulo e no Rio de Janeiro nos dias anteriores à divulgação. A aproximação entre as candidaturas representa uma mudança positiva para Lula em uma disputa marcada por forte tensão, na qual cada gesto pode ganhar grande repercussão.

A pesquisa BTG/Nexus também aponta empate técnico, com 52% contra 48%, na mesma ordem registrada pelo PoderData. No levantamento espontâneo, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, o filho de Bolsonaro aparece com 46%, enquanto Lula, filho de dona Lindu, registra 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

O BTG/Nexus ainda mostra um desafio para a campanha de Lula: melhorar a avaliação do governo. Entre os 2.002 eleitores consultados de 10 a 12 de outubro, 45% aprovam a gestão e 50% desaprovam. Uma divulgação mais ampla das entregas do governo pode ajudar a acelerar o desempenho eleitoral, especialmente diante de medidas como a retirada de impostos sobre combustíveis e a criação de programas para renegociação de dívidas.

Entre os resultados que poderiam ganhar maior destaque estão os financiamentos do BNDES para grandes obras de infraestrutura, o crescimento da participação brasileira no fornecimento mundial de alimentos e a oferta de crédito subsidiado à produção agropecuária. A apresentação desses dados pode contribuir para reduzir resistências a Lula em setores como o agronegócio.

Uma possível estratégia seria dedicar cada programa eleitoral a uma área específica. Educação, Saúde, Economia e Meio Ambiente poderiam ser apresentados separadamente, com mais tempo para explicar os avanços alcançados durante o governo e seus efeitos na vida da população.

Até agora, os programas têm reunido muitos dados e efeitos visuais em pouco tempo. Na edição exibida no Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida, as duas datas foram mencionadas rapidamente. A referência foi tratada como uma "lapada", expressão usada na televisão para uma abordagem muito breve. Como o governo promoveu ações voltadas às crianças e às famílias, o tema poderia ter recebido mais espaço. A padroeira do Brasil também poderia ter sido abordada com maior atenção, já que os dois integrantes da chapa são católicos.

Os programas dos dois campos apresentam semelhanças, com o uso de palavras como "mudança" e "prosperidade", além de cores e formatos próximos. Nenhuma das campanhas conseguiu consolidar um jingle de forte apelo popular. Um erro técnico fez o programa bolsonarista ser exibido sem som, mas episódios desse tipo, isoladamente, dificilmente alteram uma eleição.

Novos acontecimentos ainda podem modificar o cenário, especialmente pela circulação diária de informações e pelas conversas entre eleitores. A expectativa é que os levantamentos Quaest e Datafolha mostrem se a aproximação registrada pelo PoderData e pelo BTG/Nexus continuará. Mesmo ainda atrás numericamente, Lula chega às próximas pesquisas em trajetória de alta, fortalecendo a mobilização de seus apoiadores.

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