O presidente Lula ironizou nesta terça-feira (13), durante cerimônia no Palácio do Planalto, a mudança de posição do senador Flávio Bolsonaro e do PL sobre a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. No anúncio de medidas para microempreendedores individuais, Lula afirmou que o diálogo do governo com a população ajudou a pressionar a oposição.
"Vocês percebem que quando o governo e a sociedade se entendem, quando o governo e a sociedade conversam, a gente vai encontrando soluções. E essas soluções a gente vai encaminhando, vai transformando em projetos de lei, em decretos, para que a gente possa ter uma sociedade muito mais tranquila, harmoniosa, muito mais feliz, onde a palavra prosperidade não é privilégio; é direito de todo mundo. Por isso quero agradecer mais uma vez aos meus ministros da área econômica, que se empenharam para que a gente conseguisse fazer esse arranjo econômico para anunciar para vocês. É um momento sempre muito difícil, porque estamos em época de eleições e tudo que você vai fazer tem barulho, mas é o seguinte: nós temos ouvido e é bom ouvir barulho mesmo. Nós não queremos ser surdos. Queremos ouvir o barulho, porque se o barulho que vier a acontecer for o barulho da gente atender uma aspiração de vocês, é um barulho bom", destacou o presidente.
Lula também ressaltou a importância de ouvir as demandas populares e usou de ironia para comentar o recuo do PL. "Da mesma forma que houve um barulho… Me parece, que depois da pressão da sociedade e de todas as manifestações nesse Brasil, o partido PL resolver votar o fim da escala 6×1. Eu de vez em quando fico pensando: se todo mal que eu causar a este país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso", completou Lula.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno das eleições, anunciou que votará a favor da proposta. A mudança foi comunicada a apenas 12 dias da votação e na véspera da análise da matéria pelo plenário do Senado, marcada para quarta-feira (14). A redução da jornada é uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula.
Flávio anunciou a decisão depois de visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. "A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor", declarou o senador, abandonando a posição que sua candidatura vinha adotando.
Antes do recuo, Flávio criticava a proposta apoiada pelo governo federal e chamava a iniciativa defendida por Lula de "oportunista". O senador apoiava a alternativa elaborada por Rogério Marinho, coordenador de sua campanha presidencial, que prevê a possibilidade de remuneração por hora trabalhada.
Apesar de confirmar o voto favorável, Flávio manteve críticas ao formato da proposta. "Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o filho e só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar à tarde? Vai continuar engessada a jornada dela. Mas acho que é um processo de evolução", argumentou o senador.
A mudança representa uma alteração na estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro na reta final da disputa. O novo posicionamento ocorre após manifestações e pressão social em torno de uma pauta trabalhista com amplo apoio popular, enquanto Lula mantém a redução da jornada como compromisso central de sua campanha.





