Áudio sem origem vira arma eleitoral contra Lula
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Áudio sem origem vira arma eleitoral contra Lula

Caio Junqueira questionou a credibilidade do material atribuído a Daniel Vorcaro e apontou uma possível tentativa de favorecer Flávio Bolsonaro no segundo turno.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O jornalista Caio Junqueira questionou a credibilidade do áudio divulgado pela revista Veja no qual o banqueiro Daniel Vorcaro sugere ter financiado por fora um filme sobre o presidente Lula. O material foi usado politicamente às vésperas do segundo turno, apesar das dúvidas sobre sua origem e autenticidade.

Na avaliação de Junqueira, o episódio tem "todos os contornos de uma história de aloprados" e pode representar uma tentativa de Vorcaro de ajudar Flávio Bolsonaro para obter benefícios após a eleição.

"Parece mais uma tentativa de Daniel Vorcaro de surfar no favoritismo de Flávio Bolsonaro e ajudar o candidato para tentar, ali na frente, depois do segundo turno, deixar a prisão", declarou.

Segundo Junqueira, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a própria defesa de Vorcaro afirmam que o áudio e seu conteúdo nunca apareceram nas negociações de colaboração premiada. Também não foram esclarecidas as circunstâncias da gravação.

"Também não se sabe como nem quando e muito menos por quem ele foi gravado. Sem origem conhecida e sem perícia, o material hoje, pelo menos até agora, não tem valor como prova", afirmou.

A falta de informações coloca em dúvida o uso eleitoral do áudio contra Lula. Até o momento, conforme a análise apresentada, não há elementos conhecidos que permitam tratar o conteúdo como prova.

Junqueira também criticou a comemoração de bolsonaristas, que apresentaram a divulgação como um golpe decisivo contra a tentativa de reeleição do presidente. Ele lembrou que Flávio Bolsonaro já pediu dinheiro a Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro.

"Bolsonaristas, que já aceitam há algum tempo o fato de Flávio Bolsonaro ter pedido dinheiro a Vorcaro para um filme sobre o pai, comemoraram o áudio quase como um tiro fatal no presidente Lula na sua tentativa de reeleição. Não foi", disse.

O jornalista comparou o caso ao episódio de 2006 em que petistas foram flagrados tentando comprar um dossiê contra adversários. Na ocasião, o próprio presidente Lula classificou os envolvidos como "aloprados".

Segundo Junqueira, aquela operação contribuiu para levar ao segundo turno uma eleição que parecia encaminhada para terminar no primeiro. O exemplo mostra que ações eleitorais mal conduzidas podem provocar o efeito contrário ao pretendido.

"Operações desse tipo, quando surgem na fase final de uma campanha, podem acabar prejudicando justamente quem pretendia ser beneficiado por ela", afirmou.

Ao concluir a análise sobre a disputa presidencial, Junqueira declarou: "Flávio Bolsonaro hoje é o favorito para vencer Lula, mas ainda há aloprados por aí".

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