O jurista, ex-ministro da Justiça e ex-vice-procurador-geral eleitoral Eugênio Aragão acusou a revista Veja de cometer um "crime eleitoral de graves proporções" ao divulgar uma informação que ele classifica como falsa sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em manifestação nas redes sociais, Aragão afirmou que a publicação repetiu uma estratégia usada na eleição presidencial de 2014. Na ocasião, às vésperas do segundo turno, a revista antecipou uma edição com as imagens de Lula e da então presidenta Dilma Rousseff e a manchete "Eles sabiam de tudo".
A reportagem daquele ano atribuía aos dois conhecimento sobre desvios investigados na Petrobras, com base em supostas delações. Exemplares da edição também foram distribuídos gratuitamente nas ruas antes da votação.
Aragão, que atuava como vice-procurador-geral eleitoral, apresentou parecer favorável ao direito de resposta solicitado pela campanha de Dilma. A decisão do ministro Admar Gonzaga foi confirmada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que determinou a publicação da resposta no portal da revista durante o domingo da eleição.
Segundo o jurista, o caso de 2026 segue roteiro semelhante. Ele afirma que a nova publicação tenta ligar Lula e o Instituto Lula a um suposto repasse de R$ 30 milhões para financiar um documentário, com base em declarações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Aragão sustenta que a versão não tem provas e busca transferir para o campo político de Lula o escândalo relacionado à Operação Dark Horse. Ele também declarou que Flávio Bolsonaro teria pedido e recebido mais de R$ 60 milhões de Vorcaro.

De acordo com o ex-ministro, a Polícia Federal e o Ministério Público já haviam rejeitado possíveis declarações do empresário por falta de credibilidade. "Trata-se de um mentiroso sistemático cujo material não tem o menor interesse processual", frisou o ex-ministro.
Aragão afirmou ainda que a gravação apresentada pela revista teria sido articulada por pessoas ligadas à campanha adversária. Para ele, a intenção seria afetar o debate eleitoral e beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O jurista também criticou a atuação do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo ele, ações sobre propaganda e fiscalização eleitoral costumavam ficar sob a responsabilidade de ministros juristas substitutos, medida destinada a dar rapidez às decisões e preservar a cúpula da corte.
No pleito atual, porém, a presidência e a vice-presidência do tribunal assumiram a relatoria dessas ações. Aragão lembrou que os dois magistrados chegaram ao Supremo Tribunal Federal por indicação do governo Bolsonaro e avaliou que a concentração dos processos tem dificultado uma reação rápida contra a desinformação.
Para o ex-ministro, o episódio ultrapassa os limites de uma disputa política legítima. "Isso não são métodos de campanha. Isso é terrorismo de campanha, métodos sórdidos e sujos que uma democracia não pode tolerar."
Aragão defendeu que a sociedade civil, os movimentos populares e a militância contestem a informação nas redes sociais e nas ruas. Segundo ele, a reação é necessária para impedir que conteúdos falsos interfiram na liberdade de escolha dos eleitores.





