Flávio pode tornar Brasil subserviente aos EUA, alerta Amorim
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Flávio pode tornar Brasil subserviente aos EUA, alerta Amorim

Assessor especial do presidente Lula afirma que uma vitória de Flávio Bolsonaro colocaria em risco a soberania, os recursos minerais e os interesses estratégicos do país.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, alertou, em entrevista ao canal Tutaméia, que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial poderia levar o Brasil a um nível de subserviência aos Estados Unidos sem precedentes.

Amorim afirmou que uma interferência estrangeira poderia afetar decisões brasileiras sobre recursos minerais, inteligência artificial e soberania nacional. Segundo ele, nem mesmo a ditadura militar, que teve apoio norte-americano no golpe de 1964, demonstrou disposição tão explícita para aceitar ingerência externa.

"Mesmo nessas interferências passadas, ninguém tem dúvida que o embaixador americano em 1964, Lincoln Gordon, agiu amplamente e que havia planos de deslocamento inclusive de navios norte-americanos para ficar em frente ao território brasileiro. Tudo isso aconteceu, mas havia mais disfarce, porque havia o combate ao comunismo. Hoje em dia o que se combate? Quem pode acusar o presidente Lula e o vice-presidente Alckmin de serem comunistas? Nada. O objetivo exclusivo é a dominação de todo o hemisfério, que eles consideram, e já usaram essa palavra de várias formas, o quintal deles. O presidente Lula disse claramente na Assembleia Geral das Nações Unidas que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, nem a América Latina na realidade cabe no quintal de ninguém. Só que como os outros países apresentam uma realidade mais fragmentada, é menos difícil, não fácil, mas menos difícil, essa penetração", disse Amorim.

"É claro que se acontecer esse desastre de o Bolsonaro ganhar as eleições, ele mesmo está dizendo e repetindo, que então a interferência seria permitida e bem-vinda, o que seria uma subserviência jamais vista. O próprio governo militar teve oscilações. No governo Castelo Branco, o Juracy Magalhães disse que o que era bom para os Estados Unidos era bom para o Brasil. Mas já nos governos subsequentes houve discordâncias em relação ao mar de 200 milhas, em relação ao programa nuclear, em relação ao nosso reconhecimento de Angola, com o Brasil sendo o primeiro país a reconhecer Angola. O Brasil acabou estabelecendo relações com a China antes dos Estados Unidos, que começaram o processo com o Kissinger, mas demoraram anos, e o Brasil fez rapidamente. Não estou defendendo o governo militar. Havia tortura e perseguição aos direitos humanos. Eu mesmo, enquanto presidente da Embrafilme, fui convidado a pedir demissão por causa do filme Pra Frente, Brasil. Não estou defendendo, o que estou dizendo é que nunca houve uma invasão consentida e desejada a esse ponto. Isso é uma coisa absurda, e o povo brasileiro tem que estar em alerta para isso, porque se eles forem fazer isso não é em benefício do povo brasileiro, será em benefício deles. Será para saber onde estão os nossos minerais críticos, como eles vão usar a inteligência artificial no Brasil", disse Amorim.

O assessor também relacionou a defesa da soberania à proteção das riquezas nacionais e citou a Petrobras como exemplo da importância de manter setores estratégicos sob controle brasileiro.

"Esses temas não são abstratos. Esses temas são muito concretos. Quando o Getúlio estabeleceu a Petrobras, muita gente dizia que o Brasil não tem petróleo e que era algo para ficar debaixo da terra. Hoje a Petrobras é uma das maiores potências do mundo. Nós sofremos com o aumento do preço do diesel ou com a escassez de combustível, porque todos sofrem, mas muito menos do que estaríamos sofrendo se nós tivéssemos que comprar todo nosso petróleo ou se nosso petróleo estivesse sendo explorado todo por empresas estrangeiras que estariam dando preferência aos seus países de origem", disse Amorim.

"Até a memória histórica do Brasil eles estão aparentemente querendo destruir através do Iphan. Nós lembramos o que aconteceu no IBGE no governo Bolsonaro, em que os dados também eram suprimidos. Não é uma coisa menor, é uma destruição do país o que está em jogo. Ou seja, acabar com a ideia de que o Brasil é um país. O país passaria a ser uma colônia, administrada não em benefício do povo brasileiro", disse Amorim.

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