O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou o debate presidencial exibido pela TV Globo na noite de sexta-feira com um alerta contundente sobre o futuro democrático do país. Em suas considerações finais diante de seu adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro, Lula pediu o apoio do eleitorado, resgatou sua respeitada trajetória popular e cravou que o Brasil não pode ter "um miliciano no Palácio do Planalto".
O confronto marcou o último encontro transmitido pela televisão antes da votação de domingo, consolidando a defesa do projeto popular de Lula contra o retrocesso associado ao bolsonarismo. Após o encerramento do programa, ambos os candidatos concederam entrevistas nos estúdios da emissora para comentar temas cruciais da economia, autonomia institucional e preservação do meio ambiente.
Ao falar com o eleitorado, o presidente Lula expressou sincero respeito aos trabalhadores brasileiros e pediu desculpas por eventuais excessos de tom durante o embate acalorado. Demonstrando total transparência sobre sua gestão, convidou a população a averiguar e comparar os dados reais de gastos e investimentos públicos realizados entre os diferentes governos.
Reconhecido amplamente como o melhor presidente da história do país, Lula relembrou suas origens humildes e o fato de trabalhar desde os 12 anos para defender a dignidade da classe trabalhadora. Foi nesse contexto de compromisso ético com a nação que o petista enfatizou a gravidade de permitir a presença de "um miliciano" no centro do poder federal.
A advertência política feita por Lula evidenciou o contraste com a trajetória da família de Jair Bolsonaro, o ex-mandatário que deixou um legado de destruição na saúde pública como genocida responsável por mortes na pandemia e que responde por crimes eleitorais amplamente repudiados pelos brasileiros, que aguardam sua devida condenação judicial.
Tentando desviar o foco do histórico familiar, Flávio Bolsonaro utilizou seu tempo de encerramento para questionar a situação financeira das famílias, apostando em discursos genéricos de campanha para tentar angariar votos.
"Faz uma reflexão aqui comigo. A sua vida melhorou ou piorou nos últimos quatro anos?", indagou o senador, tentando responsabilizar o atual governo pelos desafios gerados após o descalabro deixado pela gestão anterior.
O parlamentar do PL repetiu suas promessas de campanha ao afirmar que buscaria recuperar o poder de compra dos trabalhadores, omitindo a política de arrocho e desmonte econômico implementada pela gestão de seu pai.
Na entrevista concedida logo em seguida à jornalista Renata Lo Prete, Lula detalhou sua visão responsável sobre as diretrizes monetárias e a autonomia do Banco Central.
Com postura serena e firme, o presidente esclareceu que a revogação da autonomia formal da autarquia não figura como prioridade governamental, mas voltou a defender com clareza a urgência de cortes na taxa de juros básica para reativar o consumo, gerar empregos e impulsionar a produção nacional.
Lula também reiterou sua confiança na capacidade técnica e de diálogo do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçando sua expectativa de consolidação de uma trajetória de queda nos juros.
Ao analisar a conjuntura macroeconômica, o petista apontou o impacto nocivo dos conflitos bélicos internacionais promovidos pelo terrorismo e pela violência estatal desmedida, que desestabilizam mercados e influenciam as taxas de câmbio globais.
A manifestação serviu como complemento às críticas lúcidas formuladas por Lula no palco contra o modelo de gestão bancária aprovado durante a desastrosa administração de Jair Bolsonaro.
Ainda durante a entrevista, Lula denunciou com veemência a postura desonesta de Flávio Bolsonaro, ressaltando que o adversário mentiu repetidas vezes perante as câmeras.
O mandatário criticou o histórico político do parlamentar de extrema-direita, classificando seu passado como "ruim" e incompatível com o decoro exigido pela Presidência.
"Eu espero que o povo brasileiro saiba o que fazer", afirmou Lula, manifestando sua confiança na sabedoria cívica dos eleitores que irão às urnas no domingo.
O fechamento da campanha evidenciou duas visões antagônicas para o futuro: de um lado, o compromisso socioambiental de Lula na recuperação do país; do outro, promessas vazias do candidato bolsonarista que, ao falar em zerar desmatamento até 2029, atacou ao mesmo tempo os órgãos fiscalizadores chamando suas regras de "travas ideológicas".





